
O secretário municipal de Meio Ambiente e Urbanismo de Natal, Thiago Mesquita, esclareceu que os alagamentos observados na faixa de areia da engorda de Ponta Negra após as chuvas da manhã desta sexta-feira (24) fazem parte da estratégia de drenagem adotada para evitar a erosão na praia.
Ele afirmou que a presença dos espelhos d’água é normal em chuvas superiores a 40mm e que a drenagem da orla foi renovada com a construção de 16 dissipadores de energia. Esses dispositivos funcionam como reservatórios que desaceleram a água da chuva antes dela alcançar o mar.
Mesquita destacou que a formação dos espelhos d’água indica a eficácia da solução adotada para a drenagem e não representa uma falha. A Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semurb) ainda ressaltou que o projeto foi aprovado pelo Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (Idema), sem objeções em relação à criação desses espelhos d’água. O órgão ambiental fez questionamentos sobre outros aspectos do licenciamento, não relacionados à drenagem.
Antes das intervenções, a praia enfrentava sérios problemas estruturais: a água que descia desde o Estádio Maria Lamas Farache, o Frasqueirão, chegava rapidamente à areia, causando voçorocas, um tipo grave de erosão caracterizada por buracos e crateras formados pela ação da água pluvial.
O secretário explicou que o declive de quase 40 metros da orla demandava um sistema eficaz de drenagem, pois a água descia em alta velocidade, erodindo a areia e agravando a erosão. Esse cenário levou o município a decretar estado de emergência em setembro de 2024 após fortes chuvas.
Com o início das obras da engorda em setembro de 2024, a drenagem foi totalmente reformulada, incluindo a instalação dos dissipadores. Em chuvas intensas, quando a capacidade desses reservatórios é ultrapassada, o excesso de água é liberado de forma gradual, formando os espelhos d’água temporários.
Após as intervenções, a água chega à praia de maneira mais lenta e não causa mais voçorocas. O secretário reforçou que o objetivo do sistema é evitar o escoamento rápido e agressivo da água que antes danificava a orla.
A Semurb reconheceu que a presença temporária de lâminas d’água na areia pode causar algum desconforto, mas ressaltou que o fenômeno é esperado, e a água deve ser absorvida pelo solo em até 24 horas após o fim das chuvas.
Mesmo defendendo a eficácia da drenagem, a prefeitura continua buscando melhorias. De acordo com Mesquita, a Secretaria de Infraestrutura (SEINFRA) estuda alternativas para diminuir o volume de água que chega aos reservatórios, como a criação de valas de infiltração extras.
Em relação às críticas sobre possível perda de areia, o secretário negou irregularidades e garantiu que a engorda da praia está preservada em grande parte da orla.
Quanto ao Morro do Careca, há atenção especial em um trecho de cerca de 400 metros devido ao escoamento da água. A gestão municipal estabeleceu um “caminho preferencial” para direcionar o fluxo da chuva, minimizando os impactos na praia.
Créditos: Tribuna do Norte