Adolescentes são investigados por agressão fatal ao cão Orelha em SC

28 de janeiro de 2026

Adolescentes são investigados por agressão fatal ao cão Orelha em SC

O caso de maus-tratos contra o cão comunitário de Praia Brava, conhecido como Orelha e com cerca de 10 anos, causou grande comoção nesta última semana em Florianópolis, Santa Catarina. O cachorro morreu após agressões cometidas por um grupo de adolescentes.

Na segunda-feira (26), a Polícia Civil do Estado, por meio da Delegacia de Proteção Animal (DPA) e da Delegacia de Atendimento ao Adolescente em Conflito com a Lei (Deacle), realizou mandados de busca e apreensão nas casas dos suspeitos e de seus responsáveis legais. Também foram feitas buscas em endereços ligados a adultos investigados por suposta coação relacionada ao caso.

A operação identificou quatro adolescentes suspeitos pelas agressões e três familiares que teriam coagido testemunhas, segundo informou a delegada Mardjoli Valcareggi, responsável pela investigação. Durante o procedimento, foram ouvidas mais de 20 pessoas e analisadas 72 horas de imagens captadas por 14 câmeras públicas e privadas, focadas exclusivamente no caso do cão Orelha.

As agressões ocorreram no dia 4 de janeiro. No dia seguinte, moradores encontraram o animal ferido e o levaram para atendimento veterinário. Os exames indicaram que o cão foi atingido na cabeça por um objeto sólido, que não foi localizado. Dada a gravidade dos ferimentos, Orelha teve que ser submetido à eutanásia. A polícia só foi informada do caso no dia 16 de janeiro.

Além de Orelha, outro cão comunitário da região, chamado Caramelo, também foi vítima do grupo. Conforme explicou a delegada, o animal foi lançado ao mar pelos adolescentes, mas conseguiu escapar e foi adotado pelo delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel.

A Associação de Praia Brava (APBrava) manifestou-se nas redes sociais, destacando que Orelha era uma presença constante no bairro e era cuidado espontaneamente por várias pessoas da comunidade. A entidade ressaltou que o cão se tornou um símbolo afetivo da convivência e do cuidado compartilhado com os animais e o ambiente local.

Em entrevista na terça-feira (27), o delegado-geral Ulisses Gabriel afirmou que dois dos quatro adolescentes suspeitos estão nos Estados Unidos em uma viagem já programada e que o retorno deles ao Brasil está previsto para a próxima semana.

Por se tratarem de menores de 18 anos, a identidade dos suspeitos não foi divulgada pela polícia. O delegado-geral esclareceu que imagens, nomes e fotos dos adolescentes não podem ser divulgados, pois a responsabilização ocorrerá junto à autoridade judicial, que aplicará as sanções previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente.

Desde que o caso ganhou repercussão nacional, circulam nas redes sociais acusações infundadas associando o casal Cynthia e Alberto Ambrogini aos suspeitos, o que foi negado, pois eles não têm ligação com os adolescentes envolvidos. O casal registrou boletim de ocorrência após receber ameaças. Segundo a defesa deles, professores, empresários, funcionários e influenciadores estariam por trás dos perfis anônimos que disseminaram falsas informações.

Créditos: Jovem Pan

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