Mendonça pode incluir Moraes no inquérito Master após avanço da PF

1 de setembro de 2026

Mendonça pode incluir Moraes no inquérito Master após avanço da PF

O ministro do STF, André Mendonça, está considerando incluir seu colega Alexandre de Moraes na investigação do caso Master, após a Polícia Federal identificar mensagens trocadas entre Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro.

Em uma das conversas, Vorcaro pede ajuda a Moraes para evitar uma “sacanagem” da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República. A PF havia recuperado as mensagens de um bloco de notas no celular do banqueiro, mas ainda não tinha identificado o interlocutor.

Após determinação de Mendonça, que é relator da investigação, a PF enviou um relatório identificando Moraes como o destinatário das mensagens escritas por Vorcaro.

Mendonça pediu um posicionamento da PGR antes de decidir se inclui Moraes na apuração. A informação foi divulgada pelo portal Metrópoles e confirmada pelo UOL junto a fontes com acesso ao relatório contendo parte das mensagens entre Vorcaro e o ministro do Supremo.

Nas mensagens datadas de 30 de outubro de 2025, Vorcaro relata a Moraes que ouviu que a Polícia Federal e o Banco Central planejavam uma ação contra ele e o Banco Master.

Vorcaro afirmou que conseguiu movimentar recursos no banco e que o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) começou a agir gradualmente. Informou também que membros do Banco Central estavam sob pressão da PF e do Ministério Público para tomar medidas contra ele. Ele pediu que Moraes e outros evitassem “sacanagem” para não prejudicar tudo.

Segundo a PF, “G” mencionado nas mensagens seria Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, e os nomes Andrei e Paulo referem-se ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e ao chefe da PGR, Paulo Gonet, respectivamente.

Vorcaro declarou estar disponível para esclarecer qualquer dúvida, mas pediu cautela para não prejudicar seus contatos dentro do Bacen que lhe passaram informações confidenciais.

As mensagens eram escritas no bloco de notas do celular de Vorcaro, que as enviava por prints como mensagens que se autodestroem no WhatsApp. Moraes respondia da mesma forma.

A assessoria do STF informou que Moraes não comentou o assunto. A PGR foi intimada a se manifestar em até cinco dias sobre o conteúdo das mensagens.

Este episódio representa um momento delicado na investigação do caso Master. A PF já tinha acesso às mensagens e sabia da técnica usada por Vorcaro para ocultar rastros, mas não havia produzido relatório sobre o interlocutor do banqueiro por iniciativa própria.

Inicialmente, a cúpula da PF entendeu que não era atribuição de Mendonça solicitar esse tipo de relatório, setor que caberia ao presidente do STF, citando precedente envolvendo o ministro Dias Toffoli.

Entretanto, Mendonça insistiu para que a PF identificasse o interlocutor e encaminhou o material ao tribunal. Atualmente, ele e seus auxiliares avaliam a possibilidade de tornar público o relatório da PF sobre o caso.

Créditos: UOL

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