Haven-1: primeira estação espacial comercial pode levar brasileiro ao espaço

16 de outubro de 2026

Haven-1: primeira estação espacial comercial pode levar brasileiro ao espaço

Em 2027, astronautas irão pela primeira vez dormir, trabalhar e realizar pesquisas em uma estação espacial que não pertence nem é operada por governos. A Haven-1, da empresa Vast, será a primeira estação espacial comercial do mundo, transformando a órbita em um espaço disponível para aluguel por laboratórios e empresas.

O neurocientista brasileiro Alysson Muotri, professor da Universidade da Califórnia em San Diego (UCSD) e referência mundial em transtornos neurológicos, como o autismo, é um dos cientistas cotados para ir à estação. Ele planeja levar minicérebros humanos — órgãos cultivados em laboratório a partir de células-tronco que reproduzem o cérebro de um bebê em formação — para estudar o Alzheimer em condição de microgravidade.

Ao contrário da Estação Espacial Internacional (ISS), que é construída e operada por um consórcio de países, a Haven-1 é um projeto privado e modular, com o primeiro módulo previsto para lançamento em foguete Falcon 9 da SpaceX.

Cerca de um mês após entrar em órbita, a estação deve receber os primeiros astronautas na cápsula Dragon, também da SpaceX. O interior da Haven-1 foi projetado para conforto, com paredes lisas, camas infláveis que mantêm os corpos presos durante o sono na ausência de gravidade e áreas separadas para experimentos científicos realizados por diferentes clientes.

O sistema interno inclui barras para apoio e deslocamento dos tripulantes e espaços compactos de trabalho que permitem aos cientistas se fixar em pontos de apoio, focando no conforto para quem permanecerá por semanas no espaço.

A missão de Muotri está planejada para dezembro de 2024, mas a ida depende da preparação dos equipamentos necessários para análises a bordo. Seu laboratório cultivará organoides cerebrais conhecidos como minicérebros, que servirão para estudar doenças neurodegenerativas, principalmente Alzheimer. O ambiente espacial acelera o envelhecimento desses organoides, o que deverá ser detalhado em um estudo a ser publicado em breve.

Além dos minicérebros, serão levadas moléculas da biodiversidade amazônica selecionadas por povos originários, com a hipótese de que possam ajudar no tratamento ou proteção dos neurônios.

A chegada da Haven-1 marca a transição da exploração espacial de grandes estações governamentais para empreendimentos privados, com a expectativa de criar uma nova plataforma que sustente pesquisas científicas independentes da ISS.

Créditos: g1

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