Banco Master repassou milhões a Metrópoles e Léo Dias em meio a crise

9 de abril de 2026

Banco Master repassou milhões a Metrópoles e Léo Dias em meio a crise

Informações do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e do Banco Central revelam que o Banco Master realizou repasses de milhões de reais entre 2024 e 2025 ao site Metrópoles e a uma empresa vinculada ao jornalista Léo Dias, conhecido por notícias e fofocas sobre famosos.

Esses pagamentos ocorreram enquanto o banco enfrentava dificuldades financeiras e coincidiram com uma reunião do banqueiro Daniel Vorcaro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o então futuro presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para buscar apoio.

Segundo apurações do Estadão, o Metrópoles recebeu R$ 27 milhões, e Léo Dias recebeu R$ 9,9 milhões diretamente, além de R$ 2 milhões provenientes de um empresário próximo a Vorcaro e parceiro de Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro e suspeito de operar fraudes investigadas pela Polícia Federal que motivaram a Operação Compliance Zero no ano anterior.

O Metrópoles, por meio do proprietário Luiz Estevão, ex-senador, e Léo Dias negaram irregularidades e afirmaram que os repasses se referem a contratos publicitários do Will Bank, banco digital do Master, também liquidado pelo Banco Central.

Os pagamentos começaram no segundo semestre de 2024, quando já havia sinais de liquidez comprometida no Banco Master e antes da reunião organizada por Vorcaro com Lula, Galípolo e ministros, que não consta nas agendas oficiais. O encontro foi articulado pelo ex-ministro Guido Mantega, que prestava consultoria ao banco.

Em conversas pessoais, Vorcaro descreveu o encontro como “ótimo/muito forte”.

Lula confirmou que recebeu Vorcaro no Palácio do Planalto fora da agenda oficial e garantiu que a investigação sobre o banco seria feita por critérios técnicos do Banco Central, sem envolvimento político.

Relatório do Coaf descreveu os repasses de R$ 27,8 milhões ao Metrópoles no segundo semestre de 2024 como “inusitados” e incompatíveis com o faturamento declarado. Nesse período, Vorcaro tentou vender o banco ao Banco de Brasília, operação posteriormente barrada pelo Banco Central.

O relatório aponta também que houve transferências para outras empresas ligadas a Luiz Estevão, o que pode indicar movimentação de recursos em benefício de terceiros.

Em 2025, o Banco Master foi principal remetente de recursos ao Metrópoles, incluindo transferências que somaram R$ 5,7 milhões em operações fracionadas, algumas anteriores à vigência dos contratos justificativos, como os relacionados à Série D do Campeonato Brasileiro.

Luiz Estevão afirmou que os repasses são legais, associados a contratos publicitários do Will Bank, e negou irregularidades.

Quanto a Léo Dias, o Coaf registrou pelo menos seis repasses do Banco Master entre fevereiro de 2024 e maio de 2025 que totalizam R$ 9,9 milhões, além de R$ 2 milhões transferidos por empresa ligada a um empresário minerador próximo a Fabiano Zettel.

Nos 15 meses monitorados, cerca de R$ 34,9 milhões circularam nas contas da empresa de Léo Dias; o montante do Banco Master corresponde a aproximadamente 28% do faturamento. As despesas superaram as receitas em R$ 35,7 milhões, com pagamentos e transferências sem justificativas claras.

Também foi registrado pagamento de R$ 2,6 milhões pela empresa de Léo Dias à Foone Serviços Internet, cujos sócios incluem o responsável pela LD Produções e Fabiano Zettel. Relatórios indicam que Léo Dias vendeu parte da sua empresa ao empresário Thiago Miranda, que se envolveu na contratação de influenciadores para criticar o Banco Central após a liquidação do Master.

Léo Dias alega que todos os valores oriundam de contratos publicitários firmados com o Will Bank, negando irregularidades. A assessoria do jornalista informou que ele deixou a função de CEO em junho de 2025 e que, desde então, não participa da gestão ou decisões estratégicas do grupo.

Créditos: Gazeta do Povo

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