Estudo: viajar à noite aumenta em até 3,5 vezes risco de acidente grave

31 de janeiro de 2026

Estudo: viajar à noite aumenta em até 3,5 vezes risco de acidente grave

Viajar à noite, especialmente entre as 2h e 4h da madrugada, aumenta o risco de sofrer um acidente grave em até 3,5 vezes em comparação ao período diurno, revela um novo estudo internacional divulgado em 30 de janeiro.

A pesquisa foi realizada pelo Instituto Mauá de Tecnologia em parceria com a USP e a Universidade de Swansea, do Reino Unido, e publicada no Brazilian Journal of Medical and Biological Research. O estudo utilizou dados da Polícia Rodoviária Federal e constatou que, apesar das estradas estarem muito mais vazias nesse horário, dirigir à noite representa um comportamento de alto risco.

Segundo os pesquisadores, o principal fator é o sono, que afeta motoristas não acostumados a ficarem acordados nesse período. Eles alertam que dirigir com sono oferece riscos comparáveis aos de dirigir sob efeito de álcool. A recomendação é evitar dirigir à noite sempre que possível.

Vanderlei Parro, professor do Instituto Mauá e autor principal do estudo, explica que não é apenas o dormir em excesso, mas episódios chamados de microssonos, que são piscadas mais longas e que podem causar perda de atenção fatal, em especial para quem dirige veículos maiores como caminhões.

O problema é principalmente grave para caminhoneiros, que muitas vezes escolhem dirigir à noite para fugir do trânsito, acelerar as viagens, poupar combustível ou compensar atrasos. Claudia Moreno, professora da Faculdade de Saúde Pública da USP e coautora do estudo, destaca que essa preferência pela noite requer políticas públicas específicas, como mais áreas de descanso seguras nas estradas, já que as atuais paradas a cada três horas são insuficientes.

Conforme Claudia, a maioria dos caminhoneiros trabalha sob demanda e numerosas vezes não consegue se preparar adequadamente, por exemplo, para dormir durante o dia antes de viajar à noite. Outro fator que dificulta o descanso é o receio de roubo e furto da carga durante as paradas.

Parro reconhece que solucionar a questão é complexo, pois envolve diversas questões econômicas e trabalhistas, mas ressalta que agora há dados concretos que fundamentam a discussão, superando opiniões pessoais.

O estudo abrange dados das rodovias federais brasileiras de 2015 a 2018, período em que o número anual de acidentes nessas vias variou entre 67 mil e 73 mil, segundo a Polícia Rodoviária Federal.

Dados do Sistema Único de Saúde (SUS) indicam que em 2024 ocorreram 37.150 mortes no trânsito, um aumento de 6,5% em relação ao ano anterior, o que equivale a uma média diária de 100 vítimas fatais.

Créditos: Tribuna do Norte

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