RN tem prejuízo estimado em R$ 2,24 bilhões com curtailment em 2025; entenda o que é

22 de fevereiro de 2026

O Rio Grande do Norte liderou o ranking de estados com maior prejuízo devido ao curtailment – os cortes de geração determinados pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) – em 2025. A restrição significou um prejuízo estimado em até R$ 2,24 bilhões aos geradores de renováveis no RN, considerando preços de contrato, segundo dados da consultoria Volt Robotics. Em seguida, aparecem Bahia (R$ 1,76 bilhão) e Ceará (R$ 849,73 milhões).

Proporcionalmente à sua capacidade de geração, o RN foi o terceiro estado que mais perdeu energia renovável no ano, quando teve 24% de cortes em parques eólicos e usinas fotovoltaicas, atrás de Minas Gerais (27,4%) e Ceará (25,8%). Na prática, isso significa que a cada 100 MWh que poderia gerar, o RN produziu 86 MWh. Para especialistas, o resultado não surpreende, mas preocupa.

O curtailment é determinado pelo ONS e ocorre especialmente em dois cenários: quando a energia produzida é superior ao consumo e quando as linhas de transmissão não conseguem escoar a energia que seria produzida. Nesses contextos, o ONS determina o desligamento ou a redução de potência da usina, para gerir a energia em excesso.

De acordo com o ONS, o curtailment “é uma realidade estrutural em países com alta participação de renováveis” e uma “medida técnica necessária para preservar a segurança e a confiabilidade do Sistema Interligado Nacional (SIN)”.

Para Darlan Santos, presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne), os cortes não surpreendem quem acompanha a evolução do problema. “Acompanhamos isso com preocupação, mas não tínhamos uma expectativa diferente. O RN é um dos estados mais afetados, porque é um dos que têm a maior quantidade de projetos [de geração de energia renovável], na região e no país”, explica.

Ele alerta que o problema ameaça investimentos no estado e afirma que 2026 não parece trazer perspectivas de melhoria. “Por mais que tenha tido ações importantes no final do ano passado, a exemplo do leilão da rede de transmissão e da compra de alguns equipamentos para melhorar a rede, essas ações de infraestrutura não são construídas em curtíssimo prazo”, acrescenta.

Tribuna do Norte

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