Setor de autoescolas no RN sofre demissões após mudanças nas regras da CNH

O setor de autoescolas no Rio Grande do Norte enfrenta demissões em massa e queda na demanda depois das alterações nas regras para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), vigentes desde 9 de dezembro do ano passado. Representantes do segmento estimam que cerca de 70% dos funcionários podem ser demitidos e manifestam preocupação com a formação dos futuros motoristas.
Eduardo Domingo, presidente do Sindicato dos Centros de Formação de Condutores do RN (SindCFC-RN), declarou que o setor “acabou” após as mudanças, que geraram uma crise profunda afetando tanto os centros de ensino quanto os candidatos.
Entre as principais mudanças estão a retirada da obrigatoriedade de passar por autoescola para realizar a prova prática, a redução das horas-aula práticas de 20 para 2 horas, a eliminação da obrigatoriedade das aulas teóricas e a permissão para que as aulas sejam dadas por instrutores autônomos credenciados pelo Detran.
Domingo destaca que a redução das aulas práticas desestimula a procura por autoescolas, que não são mais obrigatórias. Ele ressaltou que “quem vai procurar autoescola para fazer duas aulas? A tendência é o fechamento de várias autoescolas e já se estima cerca de 70% de demissões na categoria”.
Pedro Ronaldo, diretor de uma autoescola em Parnamirim, revela que pretende mudar de ramo diante do impacto das novas regras, que provocaram “demissões em massa e má formação de condutores”. Sua autoescola, CFC Aliança, viu seu quadro de funcionários cair de 68 para 13 desde a implementação das alterações, com uma redução estimada de 80% na demanda. Ronaldo afirma que o setor busca formas de adaptação, mas vê a concorrência com instrutores autônomos como um desafio difícil de superar, e critica o critério de validação das aulas práticas.
Renildo Duarte, diretor de uma autoescola em Candelária, também relata redução de cerca de 80% no número de profissionais. Ele aponta dificuldades para manter a estrutura atual diante do modelo de poucas aulas e preços menores, exemplificando que não é viável manter uma estrutura com apenas duas aulas ao custo de R$ 200, em comparação a 20 aulas por R$ 1.200.
Duarte, que dirige o CFC Via Certa em Natal, enfatiza que a principal consequência é econômica, pois a redução na quantidade de aulas diminui a receita, resultando em demissões, atrasos em contas e fechamento de escolas. Além disso, ele aponta o impacto social, alertando que “ninguém aprende a dirigir com duas aulas práticas”, prevendo aumento nas reprovações e alertando que muitos responsáveis autorizados a ensinar dirigir não têm capacitação adequada.
Com mais de 21 anos no setor, Duarte ainda reconhece aspectos positivos das mudanças, como a possibilidade de uso de carro automático nas provas e tempo adicional para condutores com transtorno do espectro autista e déficit de atenção.
Créditos: Tribuna do Norte