‘Matemática de Mossoró’: entenda como funciona esquema de pagamento de propinas, segundo investigação da PF

Conversas captadas pela Polícia Federal apontam como funcionava parte de um possível esquema de desvio de recursos públicos e fraudes em processos de licitação de saúde em Mossoró, no Rio Grande do Norte.
O prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União), é um dos investigados na operação, suspeito de receber propina nos contratos. Ele negou qualquer irregularidade.
Entenda
Em uma das transcrições colocadas na decisão judicial, dois empresários explicam o que chamam de “matemática de Mossoró”. Na conversa, eles citam um possível pagamento de propina ao prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, um dos investigados na operação.
Na transcrição do áudio captado em uma das empresas investigadas, os empresários citam um contrato em Mossoró com uma ordem de compra de R$ 400 mil e que, desse total, R$ 200 mil dos produtos seriam entregues oficialmente.
Dos R$ 200 mil que não serão entregues, os empresários citam que:
- R$ 100 mil seriam de propina, sendo R$ 60 mil desses para Allyson Bezerra, o que significaria 15% do total do contrato;
- R$ 70 mil seriam de comissão dos sócios;
- R$ 30 mil seriam das empresas.
Na decisão, o desembargador federal Rogério Fialho Moreira diz que os trechos revelam um esquema montado para o recebimento de propina. O prefeito Allyson Bezerra e o vice dele, Marcos Antônio Bezerra de Medeiros, estavam no topo do esquema.
“Nesse trecho da representação, a autoridade policial revela a posição que cada investigado ocupa na estrutura descrita pelos diálogos captados. No topo, estariam os agentes políticos — Allyson Leandro Bezerra Silva e Marcos Antônio Bezerra de Medeiros — que, segundo as conversas captadas, receberiam propina em percentuais definidos sobre os contratos”, citou a decisão.
Marcos Medeiros, vice-prefeito de Mossoró desde 2025, chegou a ocupar o cargo de secretário interino do Fundo Municipal de Saúde de Mossoró, órgão central citado no esquema, em dezembro de 2022.
No nível intermediário do esquema, segundo a decisão judicial, estavam três gestores administrativos , “que garantiriam as condições institucionais para funcionamento do sistema”, e no nível operacional dois fiscais e gestores de contrato, que “viabilizariam concretamente as entregas parciais mediante atestados”.
Os dois empresários que citam Allyson Bezerra nas conversas são, segundo a decisão, os responsáveis por operacionalizar o esquema no âmbito privado.
G1