João Câmara: maior terremoto do RN completa 40 anos e impacta sismologia

O terremoto de João Câmara, ocorrido em 30 de novembro de 1986, foi o maior registrado no Rio Grande do Norte, atingindo magnitude 5,1. Esse evento destruiu cerca de 4 mil imóveis e deixou 10 mil pessoas desabrigadas. Desde junho daquele ano, a população já vinha sofrendo tremores frequentes.
O medo e a insegurança levaram moradores a improvisar abrigos em lonas, com um circo adaptado para funcionar como hospital. Após o terremoto principal, aproximadamente 10 mil moradores deixaram a cidade, migrando em caminhões e deixando ruas e casas vazias e danificadas.
A reconstrução da cidade começou em 1987, com a recuperação de comércio e residências. Na madrugada do evento, pouco depois das 3h, tremores despertaram a população, causando ruídos, queda de telhas e muita apreensão.
João Câmara sofreu reflexos profundos com o acontecimento, que além de provocar o maior êxodo da história local, mudou a trajetória da sismologia no Brasil. A região é afetada pela Falha de Samambaia, a maior falha geológica do país, que corta vários municípios vizinhos e explica a frequência dos tremores.
Especialistas destacam que a região mantém sismicidade contínua. O geofísico Aderson Nascimento afirmou que os eventos ainda ocorrem, ressaltando a importância do episódio para alertar que o Brasil não está imune a abalos dessa intensidade.
Na época, centenas participavam de uma festa na Associação Clube dos Dirigentes Lojistas (ACDB), onde pessoas como o radialista Josinoi Ferreira e o vereador Osório Avelino estavam presentes. Ambos relataram como sentiram o terremoto e a sensação de insegurança, que levou muitos a não entrarem mais em suas casas.
A tragédia mobilizou o presidente José Sarney, que visitou a cidade dias depois, anunciando apoio com equipes técnicas, recursos para moradias e acompanhamento dos tremores subsequentes.
O desconhecimento inicial sobre o que ocorrera gerou pânico e boatos entre a população, incluindo crendices de que a cidade iria afundar ou que haveria um rio subterrâneo. Cientificamente, o evento foi causado pela Falha de Samambaia, que também afetou os municípios vizinhos.
O Laboratório Sismológico da UFRN (LabSis) tem coordenado estudos desde então, com uma equipe que cresceu significativamente, impulsionada pela importância do evento. Os tremores nunca cessaram completamente, com o último registrado em fevereiro de 2026.
Muitas famílias, sem condições de retornar, permaneceram vivendo em barracas na cidade, enquanto um circo da localidade foi transformado em hospital de campanha com auxílio do Exército.
Nos meses posteriores, cerca de 10 mil pessoas deixaram João Câmara, vendendo casas por valores baixos ou trocando propriedades por ajuda para migrar. O comércio e a vida local ficaram drasticamente alterados.
A partir de 1987, em meio à reconstrução, parte da população retornou para reerguer a cidade, recuperando residências e estabelecimentos.
O terremoto de João Câmara é considerado um dos mais fortes do Brasil e teve papel decisivo na criação da sismologia nacional. A longo prazo, o município se tornou um centro importante para pesquisas sismológicas, atraindo cientistas e investimentos para o estudo dos tremores no país.
Créditos: g1 RN