Instituto Veritá acumula condenações e tem pesquisas barradas em 14 estados

O Instituto Veritá, responsável por grande parte das pesquisas eleitorais em 2022, teve pesquisas proibidas de divulgação por irregularidades técnicas e sinais de fraude em 13 estados e no Distrito Federal apenas em 2024.
No dia 12 de agosto, os Tribunais Regionais Eleitorais (TRE) do Rio Grande do Norte e de Sergipe proibiram a divulgação de pesquisas sobre governo e Senado realizadas pelo Veritá. A Justiça Eleitoral constatou que as amostras não representavam a realidade dos estados, superestimando eleitores com maior escolaridade e renda.
Em Sergipe, o Veritá indicou 31,1% de eleitores com ensino superior, muito acima dos 19,2% da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD) 2025, enquanto o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apontou que apenas 12,82% do eleitorado sergipano possui esse grau.
No Rio Grande do Norte, o levantamento apontou 34% de entrevistados com ensino superior, sendo a média real de 13,73%, além de eleitores de maior renda em duplicidade em relação a outras pesquisas. O instituto também foi multado em mais de R$ 58 mil por reincidência de irregularidades.
As pesquisas do Veritá são feitas por telefone, mas tribunais de estados como Piauí, Amazonas e Pernambuco criticam a falta de transparência e detalhes sobre a seleção dos contatos.
Na Paraíba, foram registradas metodologias genéricas, omitindo o método de coleta e detalhes do processo. No Tocantins, a falta de clareza na fonte dos dados foi considerada um vício substancial, dificultando o controle social.
O Veritá se defendeu afirmando que diferentes tribunais têm entendimentos variados e que seu instituto possui metodologias sólidas. No entanto, análises também revelaram a concentração irregular de entrevistas em algumas cidades, como Vitória no Espírito Santo, e a ausência de questionários sobre localização nos entrevistados.
No Amazonas, uma análise contratada pelo PSD encontrou cerca de 380 pares de questionários idênticos em uma amostra de 1.220, indicando dados duplicados em série, o que foi considerado estatisticamente inviável e levou à proibição dos resultados.
Além das falhas técnicas, o instituto foi condenado por incluir perguntas que induzem respostas e candidatos inexistentes, gerando viés por meio da estruturação dos questionários, conforme apontado pela Justiça Eleitoral no Distrito Federal.
Em estados como Espírito Santo e Mato Grosso do Sul, pesquisas apresentaram candidatos em situação de inelegibilidade, comprometendo a transparência.
Um levantamento identificado pela coluna mostrou contestações contra pesquisas do Veritá em 18 estados neste ano, com exceção do Maranhão e Paraná, onde não houve proibição.
O proprietário do instituto, Adriano Silvoni, destacou que a maioria das impugnações foi revertida e que o Veritá mantém metodologia testada e previsões precisas, ressaltando o histórico do instituto nas pesquisas eleitorais recentes.
Créditos: Metropoles