Preço do tungstênio quadruplica e exportações do minério crescem 356% no RN

8 de setembro de 2026

Preço do tungstênio quadruplica e exportações do minério crescem 356% no RN

As exportações de tungstênio do Rio Grande do Norte alcançaram US$ 6,8 milhões no primeiro semestre de 2026, representando um crescimento de 356% em relação aos US$ 1,5 milhão do mesmo período em 2025. Este aumento foi impulsionado pela valorização internacional do minério, que tornou o tungstênio o segundo mineral que mais gera Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM) no estado, ficando atrás apenas do ouro.

Segundo a Análise da Balança Comercial do RN 2020-2026 (1º semestre), elaborada pelo Sebrae/RN, o principal fator para o avanço não foi o volume exportado, mas o preço médio obtido. O valor Free On Board (FOB), que corresponde ao preço da mercadoria no ponto de embarque, saltou de US$ 3,7 milhões em 2025 para US$ 6,8 milhões no início de 2026.

Porém, o aumento no valor não refletiu em quantidade: foram exportadas cerca de 88,5 toneladas nos primeiros seis meses de 2026, comparado a 193 toneladas durante todo o ano de 2025. Com a redução do volume, o preço médio por quilo subiu de US$ 19,22 para US$ 76,98, aproximadamente quatro vezes mais.

A Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sedec/RN) informou que entre janeiro e julho de 2026 a arrecadação da CFEM pelo Rio Grande do Norte, originada do tungstênio, foi de cerca de R$ 1,5 milhão. Esse valor representa uma parcela importante da arrecadação mineral do Estado, que somou aproximadamente R$ 17 milhões no período.

A produção ocorre principalmente em Currais Novos, região do Seridó conhecida pela xelita, minério do qual o tungstênio é extraído. Os Países Baixos foram o principal destino das exportações.

A valorização do preço acompanha mudanças no mercado global. A China, maior produtora mundial de tungstênio, tem restringido exportações, enquanto a demanda cresce em setores estratégicos, como a indústria de defesa, que utiliza o metal na fabricação de munições e blindagens.

O estudo do Sebrae destaca que a combinação de oferta limitada e demanda elevada elevou o preço a níveis recordes em 2026. Mário Tavares, presidente do Sindicato da Indústria da Extração de Metais Básicos e de Minerais Não Metálicos (Sindiminerais-RN), afirmou que há grande interesse no mercado local pelo tungstênio.

Ele observou que o preço da xelita sofreu uma mudança drástica, de cerca de R$ 0,50 por quilo há cinco anos para até R$ 850 atualmente, tornando a mineração muito atraente economicamente.

Segundo Tavares, a maior procura tornou viáveis áreas antes desconsideradas, estimulando empresas e trabalhadores a retomarem explorações e buscarem novos depósitos.

Esse movimento começa a gerar novos empregos e pode expandir a produção no estado. Ele mencionou um caso recente de descoberta de um novo depósito mineral de xelita.

No entanto, o presidente ressaltou que as reservas de xelita disponíveis no RN são pequenas, sendo esta uma das limitações para o crescimento da produção.

A Sedec informou que as principais jazidas em atividade estão em Currais Novos, onde a mineração ocorre desde os anos 1940, tendo passado por períodos de suspensão devido a oscilações de preços.

O mercado de tungstênio tem se valorizado desde 2020, inicialmente por impactos da guerra entre Rússia e Ucrânia, e depois pelas disputas comerciais e tarifárias internacionais.

A Sedec destacou que o fortalecimento da mineração do tungstênio traz benefícios à economia local, especialmente por meio da geração de empregos, aumento da arrecadação de impostos e movimentação econômica dos municípios produtores e do estado.

David Góis, gerente de Negócios, Inovação e Tecnologia do Sebrae-RN, também apontou que o metal tem forte aplicação em indústrias de defesa, carros elétricos, baterias e microchips.

Com as restrições da China, mercados buscam outros fornecedores, beneficiando estados produtores como o Rio Grande do Norte.

Créditos: Tribuna do Norte

Sidy's Tv e Internet
Prefeitura