Ouro e Bitcoin registram alta expressiva em agosto com intervenção do Tesouro dos EUA

9 de setembro de 2026

Ouro e Bitcoin registram alta expressiva em agosto com intervenção do Tesouro dos EUA

Em agosto, o ouro e o bitcoin se destacaram após períodos de retornos negativos, com valorização de 12% e 25%, respectivamente. Esses ativos, frequentemente correlacionados à desvalorização cambial, se beneficiaram de debates recentes sobre a intervenção do Tesouro dos Estados Unidos no mercado de títulos públicos, com o aumento do teto máximo de recompras de US$ 2 bilhões para pelo menos US$ 4 bilhões por operação até novembro.

Essa medida gerou impacto nos rendimentos dos Treasurys e no dólar, pressionando os juros dos títulos soberanos e incentivando parte do capital global a buscar alternativas como ouro e bitcoin. Além disso, reacendeu preocupações sobre o crescimento da dívida pública americana e a gestão do custo de financiamento pelo governo, o que pode afetar a confiança nos ativos a longo prazo.

No pico do movimento, o ouro chegou a ser negociado a US$ 4.755 por onça troy, fechando agosto próximo a US$ 4.500, o melhor desempenho mensal desde janeiro. A queda na valorização do metal ocorreu diante de expectativas concretas de aumento dos juros nos EUA, que tendem a fortalecer o dólar e tornar investimentos que pagam rendimento, como títulos do governo, mais atrativos.

Em relação ao real, a moeda americana fechou agosto com alta de 2,16%, cotada a R$ 5,18, impulsionada pela provável elevação dos juros nos EUA, embora no acumulado do ano o dólar ainda apresente desvalorização de -5,63% contra o real.

O bitcoin teve valorização mais acentuada, subindo de US$ 64 mil para US$ 78 mil no mês, influenciado principalmente pela entrada de quase US$ 3 bilhões em ETFs à vista nos mercados norte-americanos após a intervenção do Tesouro. No entanto, a expectativa de juros mais altos pode limitar a sustentação dos preços da criptomoeda.

Analistas indicam que o bitcoin pode oscilar entre US$ 72 mil e US$ 82 mil em setembro, dependendo da evolução da inflação e da força do dólar.

O mercado acionário brasileiro sofreu com a proximidade das eleições presidenciais e incertezas econômicas dos EUA, com o Ibovespa registrando 11 pregões negativos consecutivos e queda acumulada em agosto, além de significativa retirada de capital estrangeiro da bolsa.

Em contraste, houve melhora na performance dos títulos públicos, alimentada por dados de inflação que indicam uma provável redução da taxa Selic em setembro. Isso levou a ganhos principalmente nos títulos Tesouro IPCA+ de longo prazo, que se valorizaram em torno de 3,5% a 3,7%.

Essa conjuntura evidencia a busca por ativos alternativos em meio a um cenário de volatilidade e mudanças nas políticas monetárias globais.

Créditos: Seu Dinheiro

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