PF investiga suspeitas de desvios em emendas ligadas ao filme Dark Horse

A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quinta-feira (10) uma operação para apurar supostos desvios de recursos de emendas parlamentares. A investigação envolve o repasse de R$ 2 milhões feitos pelo deputado federal Mario Frias (PL-RJ) a organizações próximas à produtora do filme “Dark Horse”, uma cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Ao todo, a PF cumpre 49 mandados de busca e apreensão autorizados pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), em endereços localizados em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal. Durante as buscas, o celular de Mario Frias foi apreendido.
Em contato, a TV Globo não obteve resposta de Mario Frias nem da defesa de Karina Ferreira da Gama, proprietária da produtora. Em maio, Frias se manifestou ao STF negando que as emendas destinadas a ONGs ligadas à produtora tenham financiado qualquer produção cinematográfica.
Segundo a PF, uma organização criminosa composta por agentes públicos e privados teria direcionado os valores destinados para empresas subcontratadas sem comprovação da prestação dos serviços. As tentativas de ocultar os desvios teriam se estendido até julho de 2026.
O caso foi levado ao STF após a deputada Tabata Amaral (PSB-SP) solicitar investigação sobre repasses a organizações ligadas à produtora do filme. Em março, o ministro Flávio Dino determinou que Mario Frias se manifestasse, mas as tentativas de intimação não foram concluídas, pois ele não foi encontrado em seu gabinete.
Em abril, diante das dificuldades, Dino solicitou à Câmara dos Deputados endereços do deputado, mas Frias continuou inalcançável para intimação. Em paralelo, o ministro abriu uma apuração preliminar sobre as emendas destinadas a ONGs ligadas à produtora “Dark Horse”.
O filme “Dark Horse” despertou investigações depois que reportagens associaram seu financiamento a Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, preso em Brasília. O senador Flávio Bolsonaro (PL) reconheceu ter intermediado negociações e cobrado pagamentos do ex-banqueiro, que repassou cerca de R$ 61 milhões ao projeto antes da prisão.
Nesta quarta (9), o presidente do STF, Edson Fachin, suspendeu decisões que afastaram o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência Leandro Almada, reintegrando-os à corporação. O ministro Flávio Dino destacou o impacto dessas decisões na continuidade das investigações sobre o filme “Dark Horse”.
Documentos revelados em maio indicam que Flávio Bolsonaro cobrou pagamentos de Vorcaro para o financiamento do filme, com recursos destinados a um fundo nos Estados Unidos vinculado a um advogado próximo a Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio.
A operação e as apurações permanecem em andamento.
Créditos: g1