Mendonça libera sigilo de mais documentos do caso Master após pedido da PGR

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), liberou na noite desta sexta-feira (11) o sigilo de diversos documentos relacionados ao caso Master.
Entre os processos com sigilo retirado estão investigações que envolvem o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Ciro Nogueira (PP-PI), Cláudio Castro (PL-RJ), Jaques Wagner (PT-BA) e Thiago Miranda.
Nesta sexta, a Procuradoria-Geral da República (PGR) havia solicitado a liberação de mais documentos, argumentando que liberar apenas parte da documentação poderia dar uma falsa impressão de transparência.
Segundo a PGR, a lista inicial de documentos divulgada pelo relator do caso, ministro André Mendonça, não incluía a maioria dos procedimentos relacionados à investigação mais ampla conduzida pela Polícia Federal.
Atendendo ao pedido da PGR, Mendonça retirou o sigilo de 18 processos vinculados ao caso Master, além de liberar mais 21 procedimentos.
O documento da PGR, assinado pelo vice-procurador-geral Hindenburgo Chateaubriand Filho, enfatiza que grande parte dos procedimentos relacionados à chamada Operação Compliance Zero não estava incluída na lista inicial apresentada ao STF.
Chateaubriand Filho atuará juntamente com o procurador-geral da República, Paulo Gonet, no caso.
Mais cedo, os ministros Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin enviaram ofícios ao presidente do STF, Edson Fachin, recomendando a ampliação do acesso aos documentos do caso Master, semelhante ao pedido da PGR.
Zanin solicitou acesso a uma mídia específica necessária para analisar requerimentos da PGR que serão avaliados pelo tribunal na próxima semana, informando que tal mídia estaria incluída nas decisões de compartilhamento e levantamento de sigilo emitidas por Mendonça.
Já Moraes defendeu o levantamento total do sigilo nos procedimentos, criticando a retirada seletiva promovida por Mendonça, que deixou indisponíveis 180 documentos e arquivos digitais importantes para uma análise completa.
Além disso, Moraes pediu que duas petições referentes ao caso fossem julgadas em conjunto: uma que envolve mensagens entre ele e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, e outra que trata da atuação do próprio Mendonça em investigações.
O embate ocorre após Mendonça ter liberado na quinta-feira (10) o sigilo das principais apurações envolvendo o Banco Master e Vorcaro, a pedido de Fachin. Contudo, manteve sob sigilo outras frentes, como as investigações relacionadas ao senador Jaques Wagner e ao financiamento do filme “Dark Horse”, que investiga possíveis conversas entre Vorcaro e Flávio Bolsonaro.
A disputa evidenciou divergências públicas entre membros do STF, a PGR e a Polícia Federal.
Créditos: g1