Comunidade quilombola de Lagoa Nova está entre assentamentos do RN com impactos relevantes da seca durante ‘Super El Niño’

A comunidade quilombola Macambira, localizada em Lagoa Nova e parte no município de Bodó, está entre os assentamentos e agrovilas do Rio Grande do Norte nos quais o risco de seca foi considerado “especialmente relevante”. Essa classificação foi feita pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) durante levantamento realizado pelo órgão diante dos impactos do Super El Niño, causador de altas temperaturas e da seca severa que a região passa atualmente.
Diante disso, o Incra comunicou que está traçando uma série de medidas para o enfrentamento aos efeitos do El Niño. Os técnicos do setor de engenharia da autarquia analisaram os espaços do território potiguar com maior perigo aos cidadãos em contextos de desabastecimento, considerando especialmente os locais que dependem de poços salobros e não contam com dessalinizadores operantes.
Além da comunidade Macambira, estão na mesma classificação os assentamentos e agrovilas Poço Novo (Baraúna), Chico Rego e Terra da Esperança (Governador Dix-Sept Rosado), Oziel Alves e Maisa (Mossoró), Nova Trapiá (Açu), Alto da Felicidade (Afonso Bezerra), São Sebastião (Taipu) e Comunidade Capoeiras (Macaíba).
O acompanhamento das previsões e dados será feito continuamente para garantir que a população receba as informações atualizadas. A dinamicidade do trabalho permitirá ainda a inclusão de novas localidades na listagem de risco caso as vistorias situem a necessidade.
Com as informações já obtidas, o grupo de monitoramento do Incra está estabelecendo canais de contato direto com os municípios e listando possíveis rotas de abastecimento emergencial para operações com caminhões-pipa, observando as condições das estradas. A atuação mais direta deve seguir pelo menos até junho de 2027, com a revisão dos resultados persistindo até dezembro do próximo ano.
El Niño
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) indica o El Niño de 2026/2027 já como uma certeza diante das condições do Oceano Pacífico Equatorial.
A temperatura do mar deve ficar elevada em mais de dois graus Celsius na comparação com a média, num fenômeno que a agência científica dos Estados Unidos indica ter 90% de chances de ser classificado como “muito forte”, com 69% de probabilidade o mais severo desde 1950.
