Alexandre de Moraes nega irregularidades e fala pela 1ª vez sobre mensagens de Vorcaro

Alexandre de Moraes se manifestou publicamente pela primeira vez sobre as mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Bueno Vorcaro no contexto da Operação Compliance Zero.
Em documento enviado ao presidente do STF, Luiz Edson Fachin, no dia 14 de setembro de 2026, Moraes negou qualquer irregularidade em sua conduta. Ele afirmou que nunca favoreceu o Banco Master ou Vorcaro e que jamais julgou processos relacionados ao banqueiro ou à instituição financeira.
O ministro classificou as acusações como uma tentativa de responsabilizá-lo com base em anotações feitas por terceiros e considerou a ofensiva motivada por razões “político-eleitorais”.
A manifestação foi apresentada antes do julgamento no plenário do STF, marcado para 15 de setembro, que avaliará o relatório da Polícia Federal sobre as mensagens atribuídas a Vorcaro e decidirá sobre a abertura de investigação contra Moraes.
A sessão foi convocada pelo presidente do STF, Fachin, em um cenário de debates sobre a validade do relatório, o alcance da análise dos ministros e a participação de autoridades diretamente envolvidas.
Moraes argumentou que a investigação determinada pelo ministro André Mendonça é ilegal por ter sido instaurada sem solicitação da Procuradoria-Geral da República, sem provocação da Polícia Federal e sem autorização do plenário do STF.
Segundo o ministro, o relatório da PF não indica qualquer indício de infração penal e baseia-se em anotações encontradas em blocos de notas do celular de Vorcaro.
Ele declarou não ter conhecimento prévio da Operação Compliance, não ter mantido contato com autoridades investigativas nem ter vazado informações do procedimento. Também ressaltou que nunca praticou atos para beneficiar o Banco Master ou o banqueiro.
Moraes destacou que Vorcaro foi preso ao tentar embarcar no Aeroporto Internacional de Guarulhos, com passaporte legítimo e seu celular, reforçando que não houve favorecimento ou vazamento de dados.
O ministro também contestou as supostas mensagens, afirmando que o relatório não contém qualquer texto seu que indique consultoria jurídica, favorecimento ao banco ou aviso prévio sobre operações policiais.
A defesa criticou a metodologia do relatório da PF, alegando que as provas não foram preservadas adequadamente e que as conclusões se basearam em interpretações e recortes, e não em perícia técnica.
Moraes afirmou que as acusações têm motivação político-eleitoral e classificou as suspeitas como uma tentativa de vingança.
Em paralelo, o ministro André Mendonça defendeu as medidas adotadas na investigação, como a intimação presencial dos delegados responsáveis para preservar o andamento das apurações.
Segundo Mendonça, essa ação ocorreu para proteger o sigilo, diante da menção ao diretor-geral da Polícia Federal e ao procurador-geral da República em anotações de Vorcaro, que a PF sustenta terem sido enviadas a Moraes.
Ele ressaltou que a medida visou garantir a integridade do procedimento e que não implicou em atribuição de suspeitas a autoridades.
Mendonça acrescentou que o cuidado já estava previsto na decisão que determinou a intimação dos delegados.
Créditos: g1