Dólar cai 4,5% e fica abaixo de R$ 5 após 1º turno das eleições

O dólar caiu mais de 4% nesta segunda-feira, 5 de outubro de 2026, voltando a ser negociado abaixo de R$ 5. Essa reação do mercado foi provocada pelo resultado do primeiro turno das eleições presidenciais.
Flávio Bolsonaro (PL) ficou à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 47,1% dos votos válidos contra 45,1% de Lula, segundo apuração de 99,8% dos votos. Esta diferença de dois pontos conferiu a Flávio uma vantagem inicial para o segundo turno, conforme avaliação do Goldman Sachs, apesar de o banco considerar que a disputa segue aberta.
Nas últimas semanas, investidores acompanhavam o câmbio como reflexo das pesquisas eleitorais. A cada alteração na vantagem entre Flávio e Lula, o mercado revisava suas expectativas sobre o resultado e o risco para ativos do Brasil.
A surpreendente liderança de Flávio, superando em mais de quatro pontos a média das pesquisas consideradas pelo Goldman Sachs, explica o movimento de baixa do dólar, enquanto Lula terminou dentro da margem estimada.
O JP Morgan projeta que o dólar poderá testar a marca de R$ 5,00 e até cair para R$ 4,95 ou R$ 4,80 nas próximas semanas.
A principal mudança para o mercado é a nova probabilidade atribuída a cada candidato para o segundo turno. Lula liderava a média das pesquisas antes da votação, mas Flávio assumiu a dianteira nas urnas.
Segundo o Goldman Sachs, o resultado torna o segundo turno mais competitivo e dá a Flávio uma leve vantagem pela liderança inicial. A eleição decisiva será em 25 de outubro e dependerá do desempenho nos debates, das estratégias de campanha, da mobilização eleitoral e da capacidade de conquistar votos dos candidatos eliminados.
Para o câmbio, o importante é como essas probabilidades ajustadas serão refletidas nas decisões dos investidores durante as próximas semanas.
Flávio não concentrou sua vantagem em apenas um estado. Ele venceu nos três maiores colégios eleitorais do país: em São Paulo com 51,9% dos votos contra 38,2% de Lula; em Minas Gerais com 48,3% ante 43,2%; e no Rio de Janeiro com 53% contra 39,4%.
Esse desempenho superou a base eleitoral de Jair Bolsonaro em 2022 nas regiões Sul, Sudeste e Minas Gerais, aponta o Goldman Sachs.
Esses estados são relevantes para a segunda rodada por concentrarem grande parte do eleitorado e influenciarem a dinâmica nacional da disputa.
Os quatro candidatos fora do segundo turno classificados pelo banco como centro-direita ou direita somaram 7,8% dos votos válidos: Augusto Cury (2,9%), Renan Santos (2,3%), Ronaldo Caiado (2,2%) e Romeu Zema (0,3%).
O Goldman Sachs destaca que a maioria dos eleitores desses candidatos tende a favorecer Flávio Bolsonaro, embora parte possa já ter migrado para um dos dois finalistas no primeiro turno.
Outro grupo relevante é o dos eleitores que não votaram, com abstenção de 21,1%, ligeiramente maior que os 20,9% de 2022.
A mobilização desses eleitores poderá alterar o equilíbrio na disputa, ressalta o banco.
Créditos: Exame