Empresários cubano-americanos em Miami planejam futuro pós-governo em Cuba

11 de outubro de 2026

Empresários cubano-americanos em Miami planejam futuro pós-governo em Cuba

Na luxuosa mansão com vista para a baía de Biscayne em Miami, um grupo das famílias cubano-americanas mais ricas da Flórida se reúne para discutir o futuro de Cuba. A reunião, organizada pela recém-criada Câmara Nacional de Comércio Cubano-Americana (Cancc), conta com a presença de empresários influentes, incluindo membros de famílias conhecidas como Bacardí e Babún.

Juan Omar Sixto, presidente da Cancc, afirma que o objetivo é reunir os empresários cubano-americanos mais destacados da região de Miami-Dade para debater planos a respeito da Ilha. Ele próprio fugiu de Cuba na adolescência e dedica-se agora ao setor da construção civil, liderando a organização que está elaborando uma série de propostas para o que chamam de “dia seguinte” em Cuba.

Entre as iniciativas, a Cancc propõe a criação de uma Bolsa de Valores cubana e já formou comitês para tratar temas que vão desde infraestrutura energética até segurança alimentar. Segundo Sixto, o diferencial atual é o empenho do governo dos Estados Unidos, sob a presidência de Donald Trump, em promover uma mudança radical em Cuba. Além disso, ele menciona o apoio de contatos influentes próximos ao secretário de Estado americano, Marco Rubio.

Em Cuba, tais planos são recebidos com ceticismo, especialmente diante das 176 recentes medidas econômicas anunciadas pelo governo da ilha, que buscam liberalizar a economia e fortalecer o socialismo, conforme declarado pelo presidente Miguel Díaz-Canel. Essas medidas incluem a eliminação do limite de empregados nas empresas privadas, a contratação e demissão direta de funcionários e a permissão para que cidadãos cubano-americanos possam possuir várias empresas simultaneamente.

Apesar disso, os participantes da reunião da Cancc classificam essas reformas como superficiais e insuficientes para garantir investimentos significativos. Sixto enfatiza que não pisará em Cuba enquanto o regime atual estiver no poder.

Analistas observam que esses planos podem ser prematuros, já que ninguém sabe ao certo como será a transição em Cuba — se será uma intervenção militar americana ou um novo arranjo econômico com o governo cubano. Considerando o cenário político recente nos EUA e tensões internacionais, há dúvidas sobre o interesse em novas intervenções externas.

A escassez de petróleo, alimentos, água e medicamentos na ilha continua, agravando a situação da população comum. Mesmo com a disposição da diáspora em ajudar, estima-se que a reconstrução da infraestrutura elétrica cubana custaria entre 8 a 10 bilhões de dólares. Enquanto isso, os cubanos esperam melhorias no cotidiano.

Outra questão em debate são os títulos de propriedade: muitos expatriados exigem compensação pelas terras nacionalizadas após a revolução, fato contestado pelo governo cubano, que considera essas reivindicações reflexo de ressentimento da antiga aristocracia latifundiária.

Embora a Cancc mantenha suas discussões animadas, a realidade em Cuba é marcada por desafios como o sexto apagão nacional do ano, que evidencia a distância entre as esperanças da comunidade em Miami e o dia a dia na ilha.

A Cancc continua planejando o futuro com otimismo, apesar das incertezas políticas e econômicas, enquanto os cubanos enfrentam graves dificuldades, aguardando uma melhora em suas condições de vida.

Créditos: g1

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