Arquivos indicam que Jeffrey Epstein possuía CPF ativo no Brasil desde 2003

Arquivos recentes do Departamento de Justiça dos Estados Unidos revelam que o bilionário Jeffrey Epstein possuía um CPF ativo no Brasil.
O g1 confirmou que o CPF de Epstein foi registrado na Receita Federal em 2003 e permanece com situação regular.
Em 2011, Epstein discutiu com a empresária Nicole Junkermann, investidora alemã cujo nome aparece em documentos ligados ao caso, a possibilidade de obter a cidadania brasileira.
A Receita Federal informou que estrangeiros podem solicitar CPF, conforme a Instrução Normativa 2.172/2024, mas não comentou o caso específico de Epstein. O órgão ressaltou que apenas pessoas habilitadas podem requerer medidas relacionadas ao CPF de uma pessoa estrangeira falecida, como é o caso de Epstein.
O bilionário esteve envolvido em um escândalo judicial nos EUA, acusado de tráfico sexual de menores e outros crimes. As primeiras denúncias datam de 2005, após investigação da polícia de Palm Beach, Flórida, sobre abuso sexual de menores.
Epstein afirmou à época que os encontros foram consensuais e que acreditava que as vítimas tinham 18 anos. Contudo, a acusação afirma que entre 2002 e 2005 o bilionário abusou ou recrutou menores para atos sexuais.
Em 2008, ele se declarou culpado por exploração de menores, cumpriu 13 meses de prisão e pagou indenizações às vítimas. Contudo, em 2019, um juiz federal declarou o acordo ilegal e Epstein foi preso novamente por abuso de menores e por operar uma rede de exploração sexual.
Segundo as acusações, ele pagava para meninas menores irem até seus imóveis e realizarem atos sexuais, e recrutava outras garotas. Diversas mulheres afirmaram que foram obrigadas a prestar serviços sexuais a Epstein e convidados em seus imóveis nos EUA e em uma ilha no Caribe.
O governo dos EUA atribui a Epstein exploração sexual de mais de 250 meninas menores de idade.
Promotores federais defendiam a detenção de Epstein até o julgamento devido à sua riqueza, posse de aviões privados e conexões internacionais, que poderiam facilitar fuga.
Epstein foi encontrado morto na prisão em agosto de 2019; a autópsia concluiu suicídio. Dois dias antes, assinou testamento com patrimônio superior a US$ 577 milhões.
Após sua morte, as acusações contra ele foram retiradas, mas procuradores afirmaram que outras pessoas ligadas ao esquema poderiam ser responsabilizadas, e advogados das vítimas prometem buscar indenizações.
A divulgação dos documentos inclui uma lista de arquivos denominados “Arquivos diversos” relacionados a Epstein, entre eles menções ao seu CPF brasileiro, e-mails trocados com Nicole Junkermann sobre cidadania e outras informações relevantes ao caso.
Créditos: g1