Facção cobrava até R$ 60 mil de candidatos para liberar campanha em Sobral, CE

12 de agosto de 2026

Facção cobrava até R$ 60 mil de candidatos para liberar campanha em Sobral, CE

A Polícia Federal e o Ministério Público deflagraram nesta terça-feira (11) uma operação contra um esquema de “pedágio eleitoral” em Sobral, Ceará.

De acordo com as investigações, uma facção criminosa cobrava até R$ 60 mil para permitir que candidatos realizassem campanha em bairros controlados pelo grupo.

Três vereadores da cidade foram presos preventivamente e afastados de seus cargos por 180 dias por suspeita de envolvimento nas práticas criminosas.

Mandados de prisão e de busca foram cumpridos contra agentes públicos, assessores, advogados e integrantes da organização criminosa.

Os investigados podem responder por crimes como extorsão, lavagem de dinheiro, corrupção eleitoral e participação em organização criminosa.

De acordo com o Ministério Público, uma facção criminosa investigada por influenciar as eleições municipais de Sobral em 2024 e o processo eleitora de 2026 cobrava R$ 30 mil de candidatos sem mandato e até R$ 60 mil de candidatos com mandato para permitir campanha em bairros da cidade.

Segundo apuração da TV Verdes Mares, o grupo Comando Vermelho tentava manipular a escolha dos eleitores por meio de coação e ameaça. Além dos três vereadores presos, 11 mandados de prisão preventiva foram expedidos na operação “Omertá”, realizada na manhã desta terça.

O inquérito, aberto em 2024, reuniu depoimentos e provas da influência da facção nos processos eleitorais, segundo detalharam em coletiva representantes do Ministério Público e da Polícia Federal.

As investigações apontam ainda que a facção usou ameaças de morte e atentados para impedir eventos e reuniões políticas em Sobral durante o processo eleitoral de 2026.

Entre os presos está uma policial militar que atuava no policiamento ostensivo, casada com um chefe da organização criminosa também detido.

A apuração é conduzida pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Ceará (FICCO/CE), Ministério Público Eleitoral e Grupo Auxiliar Eleitoral (GAEL).

A operação cumpriu 14 mandados de prisão preventiva, incluindo dos três vereadores; 25 mandados de busca e apreensão; e cinco medidas cautelares de afastamento de cargos públicos.

Os vereadores presos são Carlos do Calisto (PSB), Junim do Povo (Pode) e Mário Vicktor (União).

A Câmara Municipal de Sobral informou que ainda não recebeu a documentação oficial do afastamento e declarou que os documentos solicitados pelos órgãos competentes estão sendo providenciados.

As ordens judiciais foram expedidas pela 3ª Zona Eleitoral de Fortaleza, mas os nomes de outros alvos não foram divulgados.

Além dos vereadores, estão entre os alvos assessores jurídicos da Câmara, agentes públicos, uma policial militar e um advogado suspeito de integrar a liderança e execução de ordens da organização criminosa para interferir no processo eleitoral.

Buscas e apreensões de celulares, documentos e outros materiais foram realizadas na operação, que também proibiu contato entre investigados e testemunhas.

Outra medida exige que a Câmara de Sobral apresente uma lista completa dos ocupantes de cargos comissionados, funções de confiança e contratados temporários vinculados à Casa.

Se condenados, os acusados podem responder pelos crimes indicados pelas investigações.

O nome da operação faz referência ao “Omertá”, um código de honra e silêncio da máfia italiana, que proíbe qualquer colaboração com autoridades e cuja quebra implica risco de morte dentro da cultura do crime organizado.

Créditos: g1 Ceará

Mavera Menswear
Prefeitura