Gás de cozinha no RN terá aumento de até R$ 9 e pode chegar a R$ 125

O reajuste no preço do gás de cozinha começou a ser repassado às distribuidoras, com um aumento médio de R$ 7,11. Segundo o Sindicato dos Revendedores Autorizados de Gás Liquefeito de Petróleo do Rio Grande do Norte (Singás/RN), o impacto ao consumidor deve elevar o valor do botijão em R$ 8 a R$ 9, com efeitos previstos a partir do dia 9 de abril.
O presidente do Singás/RN, Ivo Lopes, destacou a preocupação do setor, pois o aumento deve reduzir o consumo residencial devido à diminuição do poder de compra. Ainda segundo ele, pode haver variações pontuais até o dia 10 de abril, já que alguns revendedores ainda comercializam estoques antigos, mas a tendência é o repasse se generalizar.
A Tribuna do Norte apurou que o preço do botijão deve atingir entre R$ 120 e R$ 125 após o reajuste. Os ajustes são influenciados por fatores internacionais, como conflitos geopolíticos no Oriente Médio que afetam a oferta de energia, e por elementos internos, incluindo a política de preços da Petrobras, custos logísticos, distribuição e a carga tributária estadual, como o ICMS. No Rio Grande do Norte, os custos de transporte e a menor escala de distribuição fazem os preços ficarem mais altos.
Algumas distribuidoras já relatam queda nas vendas devido à estagnação dos estoques motivada pela redução do consumo. Bruno Souto, gerente comercial da Mega Gás, atribuiu a alta nos custos ao aumento do preço do diesel, que afeta toda a cadeia de transporte, e ressaltou que o novo reajuste do gás surpreendeu o setor. Ele acredita que famílias de baixa renda serão as mais afetadas pelo impacto do aumento, pois poderão ter dificuldade em arcar com o preço, que pode variar entre R$ 120 e R$ 125.
Edimilson Silva, proprietário da Ultragaz Edx, relatou perdas na empresa por não conseguir repassar totalmente o aumento aos consumidores sem perder clientes, limitando a transferência do custo ao máximo entre 8% e 10% e reduzindo a margem de lucro.
Diante do reajuste e da queda no consumo, revendedores do “Gás do Povo” avaliam suspender a oferta do programa, pois o valor repassado pelo governo passou a ser insuficiente para manter o serviço. Silva declarou que, diante do aumento, o consumidor terá que assumir a diferença ou o revendedor não poderá continuar no programa.
O aumento do gás de cozinha pressiona ainda mais o orçamento das famílias, como revela a dona de casa Francisca Auzenira, que precisa comprar um botijão mensalmente, sentindo o impacto no orçamento. A auxiliar de serviços gerais Araceli dos Anjos e a professora Maria de Fátima Souza também destacaram as dificuldades que o reajuste traz para o cotidiano, principalmente para os mais vulneráveis.
O economista Helder Cavalcanti explicou que o preço do gás integra o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), de modo que qualquer aumento reflete diretamente na inflação oficial. Além disso, o impacto se propaga a diversos setores, como alimentação, onde restaurantes e pequenos produtores repassam os custos.
Ele enfatizou que o gás é um item essencial com baixa elasticidade, o que significa que as famílias não podem reduzir muito seu consumo, mesmo com o aumento. Isso gera forte pressão no orçamento, principalmente para famílias de baixa renda, que precisam cortar outros gastos para conseguir manter o consumo do gás.
Cavalcanti ainda alertou para o risco social decorrente do aumento, como o crescimento do uso de alternativas perigosas como lenha e carvão, o que é intensificado no Rio Grande do Norte devido à menor renda média e maior informalidade, reduzindo a capacidade das famílias de absorver o choque dos preços.
Créditos: Tribuna do Norte