Influenciadores receberam propostas para criticar o Banco Central após caso Master

10 de janeiro de 2026

Influenciadores receberam propostas para criticar o Banco Central após caso Master

Um influenciador digital de São Paulo revelou que recebeu R$ 7,8 mil por uma única postagem em dezembro para criticar o Banco Central (BC) após a liquidação do Banco Master, de Daniel Vorcaro. Ele recusou, posteriormente, uma proposta de contrato para três meses de trabalho. Outros criadores de conteúdo também relataram propostas semelhantes, com contratos de três meses para publicações frequentes, todos abordados em dezembro.

Esse período coincide com a identificação, pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban), de uma série de ataques contra o BC nas redes sociais, tema que agora será investigado pela Polícia Federal para apurar possível ação coordenada.

Na terça-feira (6), o blog da colunista Andréia Sadi divulgou que o vereador Rony Gabriel, de Erechim (RS), também foi procurado em dezembro para participar de uma campanha criticando o BC nas redes sociais. Ele expôs um contrato preliminar firmado com uma agência de marketing digital para esse fim e afirmou ao programa Estúdio i, da GloboNews, que recebeu a informação nas negociações de que o contratante era Daniel Vorcaro, mas recusou o trabalho.

O Banco Master não se posicionou publicamente sobre o assunto. A defesa de Daniel Vorcaro, em documento ao Supremo Tribunal Federal (STF), negou envolvimento em disseminação de desinformação contra o BC e pediu investigação sobre a propagação de possíveis fake news e crimes contra a honra.

O influenciador paulista, que falou sob anonimato, foi procurado por Júnior Favoreto, da agência GroupBR. Dados mostram que o pagamento de R$ 7.840 ocorreu em 19 de dezembro e saiu da conta da empresa Miranda Comunicação, ligada a Thiago Miranda. O influencer apagou o post dois dias após a publicação, alegando que o conteúdo ultrapassava limites éticos, e devolveu o valor recebido.

O contrato oferecido a ele, ao qual o g1 teve acesso, detalha que a agência Miranda Comunicação, através da Olivetto Comunicação, encaminharia o material a ser divulgado, sem exigir investigação adicional do influenciador. A proposta previa oito vídeos mensais, totalizando cerca de R$ 188 mil ao final do contrato, descontando comissão à agência.

O contrato preliminar de Rony Gabriel mencionava um “Projeto DV” – as iniciais de Daniel Vorcaro – e incluía cláusula de confidencialidade com multa de R$ 800 mil. O vereador possuía 1,7 milhão de seguidores no Instagram e rejeitou o trabalho após compreender que o objetivo era criticar o BC e defender o Master, apesar do cachê milionário oferecido.

Mensagens trocadas por WhatsApp mostram que Rony foi procurado em 20 de dezembro e assinou contrato confidencial de cinco anos. Ele participou de reunião virtual em 28 de dezembro, quando recebeu orientações para produzir conteúdo semelhante ao de outros influenciadores, embora alguns deles neguem envolvimento ou não tenham respondido ao contato para esclarecimentos.

Outra influenciadora, Julie Milk, com 1,5 milhão de seguidores, também relatou ter sido abordada pela agência para divulgar conteúdos políticos e financeiros, com contrato semelhante para três meses e oito vídeos mensais, mas recusou a proposta. Júnior Favoreto afirmou que a GroupBR atuou como intermediária a pedido da Miranda Comunicação, sem fechar contratos.

Segundo a Receita Federal, Thiago Miranda tem relação com o comunicador Léo Dias e administra empresas ligadas a ele. Tentativas de contato feitas pelo g1 com Miranda, Vorcaro e suas defesas não tiveram retorno.

Créditos: g1

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