Origem e evolução do ovo de Páscoa: de galinhas ao chocolate

Apesar de o doce ser um dos símbolos mais populares e adorados na Páscoa, sua história ainda desperta muitas dúvidas e curiosidade.
Antes do surgimento dos ovos de chocolate nas prateleiras durante a Páscoa, a tradição consistia em presentear com ovos de galinha.
Embora atualmente a troca de ovos esteja associada à celebração cristã da ressurreição de Jesus, essa prática é muito mais antiga e repleta de simbolismos que atravessam diferentes culturas e séculos.
Desde a antiguidade, o ovo simboliza fertilidade e renovação. “É a partir dele que nascem muitos animais”, explica Karla Nery, instrutora de confeitaria no Centro de Aperfeiçoamento em Gastronomia do Senac. Ela completa que o coelho, outro ícone da Páscoa, também está ligado à ideia de fertilidade por sua alta capacidade de reprodução.
O ovo foi tão importante para a história da humanidade que, no Império Romano, acreditava-se que o universo era oval, imitando seu formato. Na Idade Média, existia a crença de que o mundo teria surgido de dentro de uma casca de ovo.
Porém, a simbologia do ovo é ainda mais antiga. Séculos antes do cristianismo, povos antigos já trocavam ovos em celebrações, como no início da primavera — que marca o fim do inverno no Hemisfério Norte, segundo Katia.
Para tornar o presente mais atraente, alguns ovos eram pintados e decorados, utilizando pigmentos naturais extraídos de alimentos como beterraba e açafrão, conforme explica Katia.
Com o surgimento e expansão do cristianismo, a simbologia do ovo como símbolo de renovação foi incorporada às tradições cristãs. Assim, durante a Páscoa, data em que se comemora a Ressurreição de Cristo, passou-se a presentear com ovos.
Na Europa medieval, essa tradição alcançou status nobre. Registros indicam que, no século 12, o rei francês Luís VII foi presenteado com ovos ao retornar da Segunda Cruzada, mesmo tendo sido derrotado. Essa prática se disseminou entre a elite, que trocava ovos feitos de porcelana, vidro e até ouro.
Séculos depois, essa tradição inspirou os famosos Ovos Fabergé, criados pelo joalheiro russo Peter Carl Fabergé. Um deles, dado pelo czar Alexandre 3º à imperatriz Marie Feodorovna, foi avaliado em US$ 20 milhões em 2014 e apresentava um relógio adornado com safiras e diamantes, conforme a BBC.
A versão doce do ovo surgiu entre os séculos 17 e 18, na França, quando confeiteiros criaram moldes de ovos recheados com uma mistura de ovos, açúcar e chocolate.
Com o tempo, os ovos passaram a ser feitos totalmente de chocolate — inicialmente mais amargo e denso do que os atuais.
O sabor foi suavizado com a evolução da confeitaria, com a adição de ingredientes como leite, manteiga de cacau e açúcar, segundo a especialista.
Créditos: Sergipe Notícias