Setor de autoescolas no RN sofre demissões após mudanças nas regras da CNH

22 de janeiro de 2026

Setor de autoescolas no RN sofre demissões após mudanças nas regras da CNH

O setor de autoescolas no Rio Grande do Norte enfrenta demissões em massa e queda na demanda depois das alterações nas regras para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), vigentes desde 9 de dezembro do ano passado. Representantes do segmento estimam que cerca de 70% dos funcionários podem ser demitidos e manifestam preocupação com a formação dos futuros motoristas.

Eduardo Domingo, presidente do Sindicato dos Centros de Formação de Condutores do RN (SindCFC-RN), declarou que o setor “acabou” após as mudanças, que geraram uma crise profunda afetando tanto os centros de ensino quanto os candidatos.

Entre as principais mudanças estão a retirada da obrigatoriedade de passar por autoescola para realizar a prova prática, a redução das horas-aula práticas de 20 para 2 horas, a eliminação da obrigatoriedade das aulas teóricas e a permissão para que as aulas sejam dadas por instrutores autônomos credenciados pelo Detran.

Domingo destaca que a redução das aulas práticas desestimula a procura por autoescolas, que não são mais obrigatórias. Ele ressaltou que “quem vai procurar autoescola para fazer duas aulas? A tendência é o fechamento de várias autoescolas e já se estima cerca de 70% de demissões na categoria”.

Pedro Ronaldo, diretor de uma autoescola em Parnamirim, revela que pretende mudar de ramo diante do impacto das novas regras, que provocaram “demissões em massa e má formação de condutores”. Sua autoescola, CFC Aliança, viu seu quadro de funcionários cair de 68 para 13 desde a implementação das alterações, com uma redução estimada de 80% na demanda. Ronaldo afirma que o setor busca formas de adaptação, mas vê a concorrência com instrutores autônomos como um desafio difícil de superar, e critica o critério de validação das aulas práticas.

Renildo Duarte, diretor de uma autoescola em Candelária, também relata redução de cerca de 80% no número de profissionais. Ele aponta dificuldades para manter a estrutura atual diante do modelo de poucas aulas e preços menores, exemplificando que não é viável manter uma estrutura com apenas duas aulas ao custo de R$ 200, em comparação a 20 aulas por R$ 1.200.

Duarte, que dirige o CFC Via Certa em Natal, enfatiza que a principal consequência é econômica, pois a redução na quantidade de aulas diminui a receita, resultando em demissões, atrasos em contas e fechamento de escolas. Além disso, ele aponta o impacto social, alertando que “ninguém aprende a dirigir com duas aulas práticas”, prevendo aumento nas reprovações e alertando que muitos responsáveis autorizados a ensinar dirigir não têm capacitação adequada.

Com mais de 21 anos no setor, Duarte ainda reconhece aspectos positivos das mudanças, como a possibilidade de uso de carro automático nas provas e tempo adicional para condutores com transtorno do espectro autista e déficit de atenção.

Créditos: Tribuna do Norte

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