
Mesmo após duas reduções seguidas no preço da gasolina A na Refinaria Clara Camarão, o Rio Grande do Norte mantém o quarto maior preço médio do combustível entre os estados do Nordeste, com o litro sendo comercializado a R$ 6,96. O valor mínimo encontrado nos postos foi R$ 6,45 e o máximo chegou a R$ 7,59. Os dados são do relatório semanal da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), referente ao período de 21 a 27 de junho, com coleta em 31 estabelecimentos.
O RN fica atrás apenas de Sergipe (R$ 7,12), Bahia (R$ 7,07) e Pernambuco (R$ 6,98) em termos de preço médio. Comparado à semana anterior, quando o preço era R$ 6,80, houve um aumento de 2,35%.
O reajuste ocorreu na mesma semana em que a Brava Energia anunciou a segunda queda semanal consecutiva nos preços da gasolina A e do diesel A S500 na Refinaria Clara Camarão, em Guamaré. Na gasolina A, o preço passou de R$ 3,81 para R$ 3,75 por litro, uma redução de R$ 0,06, após outra queda da semana anterior, quando o valor foi reduzido de R$ 3,99 para R$ 3,81.
Maxwell Flor, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do RN (Sindipostos/RN), explica que essa redução ainda não chegou ao consumidor final devido ao aumento nos preços das distribuidoras para os postos revendedores. Segundo ele, as distribuidoras justificam o aumento por restrição nos estoques, que provoca elevação dos preços. Também há relatos de atrasos nos navios que abastecem as distribuidoras.
Além disso, Maxwell Flor comenta que as distribuidoras priorizam os postos que promovem suas marcas. Os postos locais compram gasolina também da Paraíba, Pernambuco e Ceará. Ele destaca que quase metade do mercado é composto por postos de marca própria, que não têm vínculo com distribuidoras e enfrentam maiores dificuldades de fornecimento, refletindo nos preços cobrados.
Visitas da reportagem em dois postos de Natal confirmaram os valores próximos aos indicados pela ANP: em Lagoa Nova, o litro estava a R$ 6,92, e na Ribeira, a R$ 6,95.
O economista Helder Cavalcanti acrescenta que, além das variações de estoque, a redução anunciada pode não ser sentida pelo consumidor final porque incide sobre a gasolina A, vendida antes da adição do etanol anidro. Este combustível, que recebe cerca de 27% de etanol na mistura para formar a gasolina C vendida nos postos, representa apenas parte do preço final.
O preço pago pelo consumidor também inclui custos com etanol, transporte, armazenagem, distribuição, tributos e margens das distribuidoras e dos postos. Fatores externos, como a cotação internacional do petróleo e a variação cambial, também influenciam. A valorização do dólar tende a elevar os custos dos combustíveis brasileiros.
Para as próximas semanas, a expectativa é de estabilidade relativa nos preços, dependendo da estabilidade dos fatores externos. Contudo, a queda anunciada pela refinaria não deve ser totalmente percebida pelo consumidor final devido à composição dos preços na cadeia de distribuição.
Dina Perez, diretora-geral do Procon Natal, informou que a fiscalização sobre os repasses da cadeia de combustíveis foi intensificada nas últimas duas semanas. Até o momento, não foram identificados aumentos abusivos ou reajustes ilegais que violem o Código de Defesa do Consumidor.
Ela orienta que consumidores que notem aumentos fora da média ou suspeitas de irregularidades registrem denúncias nos canais oficiais do Procon para que fiscalizações sejam realizadas.
Créditos: Tribuna do Norte