
O pastor Silas Malafaia, importante líder evangélico, enviou nesta quarta-feira (28) uma mensagem pelo WhatsApp em que chama os filhos de Jair Bolsonaro de “jumentos”. A declaração foi uma resposta à atitude do candidato derrotado à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), que se declarou presidente eleito do Brasil e alegou, sem apresentar provas, uma fraude eleitoral.
Malafaia escreveu: “Esses filhos de Bolsonaro são uns jumentos. Só se aconselham com gente errada! Faz carta, fala bobagem, depois corrige”. Ele acrescentou que “Trump já tirou o apoio. Deixei ele vir para a América, mas não me meto nessa questão. Um bando de amadores babacas”.
Flávio Bolsonaro, que recebeu 59 milhões de votos, fugiu para os Estados Unidos e divulgou uma carta substituindo uma coletiva que daria em Miami. Na declaração, ele se posiciona como “o verdadeiro presidente eleito do Brasil” e reafirma acusações de fraude eleitoral, mencionando a extensão do horário de votação no segundo turno, determinada pelo ministro do STF Cristiano Zanin após interrupções no transporte público em várias capitais.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE), liderado por Kassio Nunes Marques, aliado de Bolsonaro, informou que apenas 34.993 pessoas votaram no período estendido, o que representa 0,027% dos votos totais. Ainda, a campanha de Flávio havia solicitado a prorrogação em diversas cidades. No total, Lula obteve uma vantagem de 4.430.191 votos.
Após a repercussão da carta, Flávio publicou uma nova versão do comunicado, se intitulando “líder do Brasil” e alterando o texto original.
Procurado, Malafaia não comentou as declarações, afirmando que não tinha mais o que dizer.
Antes de sair do país, Flávio cogitou pedir uma auditoria nas urnas, como tentaram Aécio Neves em 2014 e Jair Bolsonaro em 2022. Contudo, ele foi aconselhado a não prosseguir com ações contra o sistema eletrônico de votação, usado no Brasil desde 1996 e nunca comprovado fraudes.
O tema foi debatido em almoço na segunda-feira (26) em Brasília com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), o coordenador da campanha Rogério Marinho (PL-RN), o senador eleito Guilherme Derrite (PP) e advogados Maria Claudia Bucchianeri e Tracy Reinaldet.
Durante o encontro, ressaltou-se que a contestação dos resultados nas eleições de 2022 custou caro ao PL, que sofreu multa de R$ 22,9 milhões por litigância de má-fé, decisão tomada pelo então presidente do TSE, Alexandre de Moraes.
Assim, qualquer tentativa de repetir a estratégia de 2022 seria não só infrutífera, mas financeiramente onerosa para o partido.
Em 2023, Jair Bolsonaro foi condenado pelo TSE por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação, ao usar reunião com embaixadores no Palácio da Alvorada para atacar o sistema eletrônico de votação.
Créditos: O Globo