
Mesmo após a nomeação de uma presidência interina pelo afastamento de Nicolás Maduro, a liderança efetiva da Venezuela permanece incerta. Declarações recentes de Donald Trump e da presidente interina Delcy Rodríguez evidenciam esta disputa pelo poder.
Delcy Rodríguez afirmou em mensagem pela TV estatal venezuelana, no dia 6 de janeiro, que a Venezuela não é governada por nenhum “agente externo” e que somente as autoridades venezuelanas detêm poder sobre o país.
Essa fala foi uma resposta a Donald Trump. Na segunda-feira, 5 de janeiro, em entrevista à NBC News, o presidente dos EUA declarou que está no comando da Venezuela. Questionado sobre quem governa o país, respondeu diretamente: “Eu”.
Trump mencionou pela primeira vez a participação de um grupo de alto escalão dos EUA nas decisões sobre a Venezuela, citando o secretário de Estado, Marco Rubio, o secretário da Defesa, Pete Hegseth, o vice-chefe de gabinete da Casa Branca, Stephen Miller, e o vice-presidente JD Vance. Segundo ele, cada um tem “especialidades diferentes” nesse processo.
De acordo com a Constituição venezuelana, na ausência do presidente, o poder é transferido à vice-presidente, cargo então ocupado por Delcy Rodríguez.
No sábado, 3 de janeiro, quando Maduro foi capturado por forças norte-americanas, o Tribunal Supremo de Justiça venezuelano determinou que Delcy assumisse interinamente a Presidência para “garantir a continuidade administrativa e a defesa integral da Nação”.
No domingo, 4 de janeiro, as Forças Armadas reconheceram oficialmente Delcy como presidente interina e o ministro da Defesa, Vladimir Padrino, apoiou publicamente sua permanência no cargo por 90 dias. Ela tomou posse oficialmente na segunda-feira, 5 de janeiro.
Assim, Delcy conta com apoio institucional do Judiciário e das Forças Armadas no cenário interno venezuelano.
Nos Estados Unidos, há divergências nas posições sobre a situação venezuelana. Enquanto Trump sustenta estar no comando do país e que Washington administra a Venezuela interinamente, o governo americano negou, no Conselho de Segurança da ONU, ocupar o território venezuelano ou estar em guerra.
O embaixador dos EUA na ONU, Michael Waltz, afirmou que a operação para capturar Nicolás Maduro foi jurídica, não militar.
Trump declarou ainda que Delcy Rodríguez coopera com os EUA, mantendo diálogo frequente por meio do secretário de Estado Marco Rubio. “A relação entre eles tem sido muito forte”, disse ele.
O presidente norte-americano afirmou que não autorizará novos ataques enquanto essa cooperação continuar, embora possa reconsiderar essa posição caso Delcy mude sua postura.
Créditos: Metropoles