
Com a eliminação precoce do Brasil na Copa do Mundo, diversos comerciantes em Natal se depararam com estoques de produtos temáticos da competição nas cores verde e amarelo. No Alecrim, o verde e amarelo já perderam protagonismo, mas alguns lojistas continuam desenvolvendo estratégias para vender os itens restantes e aproveitar futuras ocasiões.
Cleide Alves, gerente da loja Emanuelle, conta que os produtos temáticos femininos e infantis foram totalmente vendidos, restando apenas algumas camisas masculinas. “Tínhamos a expectativa de vitória do Brasil e recebemos muitos produtos. Após a eliminação, restam poucas unidades masculinas. Ainda não decidimos se vamos guardar para a próxima Copa”, declara.
Esses itens devem ser vendidos em uma liquidação na loja, mas a gerente prevê desafios para as vendas. Caso reste algum estoque, ela considera guardá-lo para outras épocas, como as eleições de outubro.
Carla Mariana, artesã e vendedora na Lojinha da Mari, também aposta nos produtos temáticos, comercializando tiaras, laços e o álbum da Copa do Mundo de 2026. “Estamos fazendo promoções e aguardando as eleições, que também geram bastante venda de itens do Brasil”, menciona.
Ela vê o 7 de setembro como outra oportunidade de venda. Atuando no camelódromo do Alecrim, Carla Mariana vende seu artesanato, enquanto seu esposo comercializa camisas da Seleção Brasileira. Apesar da procura diminuir, eles continuam vendendo as peças, que já recebem descontos entre R$ 10 e R$ 20.
Graça Cunha, proprietária da loja John John Kids, com foco no público infantil, conta que vendeu muitos itens temáticos antes e durante os primeiros jogos, quando a expectativa era que o Brasil avançasse de fase. Após a eliminação nas oitavas de final para a Noruega, ficou o estoque remanescente.
Ela afirma que ainda há interesse pelos produtos temáticos e que pretende vender o estoque restante no 7 de setembro, data em que as pessoas costumam usar roupas nas cores do Brasil, e também nas eleições.
O gerente da Agência Sebrae Grande Natal, Thales Medeiros, recomenda transformar o estoque parado em capital para evitar despesas prolongadas com armazenamento. Segundo ele, “o primeiro passo é classificar os produtos conforme giro, margem e possibilidade de venda após o evento”.
Itens temáticos podem ser reposicionados como artigos relacionados ao futebol, identidade brasileira ou uso cotidiano, garantindo vendas em outras épocas. A criação de kits promocionais com preços vantajosos e a oferta de produtos complementares podem aumentar o valor médio das compras.
Para pequenos empreendedores, a orientação é priorizar canais de venda de baixo custo, como WhatsApp Business, Instagram, listas de clientes e parcerias locais, monitorando quais ações geram mais conversões. Também sugerem campanhas de tempo limitado, retirada no estabelecimento e condições especiais para compras em quantidade.
Thales destaca que a margem de desconto deve ser estudada caso a caso, considerando custos de aquisição, impostos, taxas, comissões e outros custos variáveis. A precificação correta é crucial.
Ele observa que, naturalmente, o interesse por produtos ligados exclusivamente à seleção diminui após a eliminação, mas o consumo relacionado ao futebol, confraternização e entretenimento pode continuar enquanto a competição segue.
Recomenda-se que os comerciantes acompanhem diariamente as vendas, evitem novas compras temáticas, reduzam custos de estoque já adquirido e direcionem suas comunicações a outras datas comemorativas, como férias, Dia dos Pais e final de ano.
Por fim, a lição principal é não basear as compras em expectativas excessivamente otimistas e manter controle rigoroso sobre estoque, fluxo de caixa, ponto de equilíbrio e margem de contribuição durante toda a campanha.
Créditos: Tribuna do Norte