
A adoção é considerada um ato de amor que transforma vidas e cria novos vínculos familiares. No Rio Grande do Norte, mais crianças e adolescentes estão experimentando essa realidade. Em 2025, foram concluídas 77 adoções, um aumento de 18,46% em relação às 65 de 2024. Os dados, levantados até 9 de janeiro, são da Coordenadoria Estadual da Infância e da Juventude (CEIJ) do Tribunal de Justiça do Estado (TJRN), com base no Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA), criado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Segundo a CEIJ/TJRN, as adoções mensais também cresceram, passando de uma média de 5,41 em 2024 para 6,41 em 2025. O juiz José Dantas de Paiva, coordenador estadual da Infância e Juventude, atribui esse avanço a vários fatores, como a articulação com a sociedade civil e a rede de proteção, a realização da Semana da Adoção e cursos oferecidos aos pretendentes.
Para 2026, a CEIJ planeja executar projetos e ações que garantam os direitos de crianças e jovens, incluindo a organização da XII Semana Estadual da Adoção e encontros entre adotantes e acolhidos. Estima-se também a formação de pelo menos oito turmas de preparação psicossocial e jurídica para adoção, além de três turmas de capacitação para magistrados, servidores judiciais e equipe técnica da infância e juventude, com o objetivo de qualificar e alinhar o trabalho na área.
Atualmente, o Rio Grande do Norte tem 243 crianças e adolescentes acolhidos, dos quais 52 estão aptos para adoção e 48 em processo. A maioria apta à adoção é parda (57,4%), seguida por branca (10%) e preta (5,6%), enquanto 26,1% não informaram sua etnia. O grupo ainda é composto majoritariamente por meninas (51,2%), contra 48,8% de meninos.
Existe um contraste entre o perfil dos acolhidos e a demanda dos adotantes: mais de 130 crianças fazem parte de grupos de irmãos e mais de 200 têm mais de dois anos. Os pretendentes, em sua maioria, preferem crianças pequenas e sem irmãos. Por isso, a CEIJ ressalta a importância de sensibilizar para a adoção de grupos de irmãos e crianças mais velhas.
O perfil dos pretendentes tem mostrado maior aceitação da diversidade, embora ainda restrito. A tendência é abrir progressivamente para condições historicamente rejeitadas, como adoção de crianças maiores, interraciais, grupos de irmãos e pessoas com deficiência.
O juiz José Dantas destaca que os desafios permanecem, sendo necessária a conscientização da sociedade sobre a importância das adoções tardias e de perfis menos buscados.
A Coordenadoria Estadual da Infância e Juventude tem a missão de promover os direitos humanos de crianças e adolescentes e melhorar a prestação jurisdicional na área, além de articular o Judiciário com órgãos governamentais e não governamentais para assegurar proteção integral e desenvolvimento saudável.
Suas competências incluem formação de magistrados e servidores, gestão dos Cadastros Nacionais da Infância e Juventude e ações que fortalecem a proteção infantojuvenil. Em 2025, destacam-se melhorias em depoimentos especiais, apoio no uso do Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento e a formação continuada com apoio da Esmarn.
No mesmo ano, foi lançada a campanha “Quem ama protege. Quem bate, destrói” para combater crimes contra crianças e adolescentes, especialmente no ambiente familiar.
Além da promoção da adoção por meio de eventos anuais, a CEIJ realizou encontros entre pretendentes e acolhidos para fortalecer vínculos. Em 2025, foram oferecidas 14 turmas de formação multidisciplinar para habilitados à adoção, envolvendo assistentes sociais, psicólogos, magistrados e convidados com diferentes experiências relacionadas à adoção.
Créditos: Tribuna do Norte