Lula propõe conselho para avaliar indicações ao STF e defende filho investigado

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou neste domingo (27) que deseja alterar o critério de escolha para ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo ele, a decisão não deve ficar exclusivamente a cargo do presidente da República e deve envolver um conselho para avaliar as indicações.
“Quero mudar o critério de escolha, porque o critério atual é muito vulnerável. Acho que devemos criar um sistema envolvendo a sociedade civil para indicar alguém que não seja apenas vontade do presidente. A pessoa tem que passar por um colegiado que ainda vamos definir, para que não seja simplesmente um indicado do presidente”, afirmou Lula em entrevista à TV Bandeirantes, gravada no Palácio da Alvorada.
Ele reforçou que as indicações precisam analisar com rigor a biografia dos futuros ministros para garantir coerência e responsabilidade durante seus mandatos. “Estou preocupado com o critério e com o tempo de mandato. O cidadão não pode permanecer 35, 40 ou 45 anos no cargo”, disse.
Lula criticou ainda o comportamento de alguns ministros indicados, dizendo que eles agem como se fossem deuses após assumirem o cargo: “Uma coisa é indicar, outra é colocar a toga. E quando colocam a toga, viram Deus”. Ele pediu seriedade para os integrantes da Corte e afirmou que eles não devem buscar enriquecer durante o mandato, pois o salário atual de R$ 43 mil não é compatível com acumular bens.
Em defesa de seu filho, Fábio Luis Lula da Silva, conhecido como Lulinha, e do ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro (Marcola), Lula declarou acreditar na inocência deles frente às investigações da Polícia Federal (PF).
A PF investiga se Lulinha cometeu tráfico de influência e corrupção em três inquéritos, incluindo possíveis favorecimentos a Antônio Carlos Camilo Antunes (“Careca do INSS”), principal acusado de desvios em aposentadorias e pensões.
Também foi identificado que Marcola recebeu um contrato para venda de medicamentos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde, enviado pela empresária Roberta Luchsinger, que tentou fechar o negócio mas não concretizou.
Mensagens obtidas pela PF indicam que Roberta pagou servidores do Ministério do Desenvolvimento Social e ordenou pagamentos em dinheiro, incluindo R$ 193 mil para o empresário Fernando Bittar, ex-sócio de Lulinha. Parte dessas informações foi extraída do celular da empresária.
Lula reiterou que Marcola afirmou que o repasse de R$ 249 mil feito pela empresária foi um empréstimo pessoal já quitado.
A entrevista foi concedida no Palácio da Alvorada e exibida pela TV Bandeirantes no mesmo dia.
Créditos: g1








