
Em março de 2026, o setor de bares e restaurantes no Rio Grande do Norte registrou uma queda de 4,7% nas vendas em relação ao mesmo mês de 2025. Este resultado representa a terceira maior retração do país segundo o Índice Abrasel Stone. A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes do RN atribui essa queda principalmente à redução do fluxo de clientes e à perda do poder de compra da população.
No Brasil, o faturamento do setor caiu 0,5% em comparação com fevereiro de 2026, mas manteve-se estável em relação a março de 2025, alcançando seu sexto mês consecutivo em nível igual ou superior ao do ano anterior. Os estados com maiores altas foram Amazonas (19,5%), Tocantins (9,5%) e Paraíba (7,5%).
No ranking das maiores quedas em março, o Rio Grande do Norte ficou atrás apenas do Espírito Santo (8,2%) e da Bahia (8,6%). Antes disso, o estado havia registrado dois meses consecutivos de crescimento, com alta de 8,6% em janeiro e 12,2% em fevereiro de 2026.
Thiago Machado, presidente da Abrasel RN, explica que a diminuição no número de pessoas que frequentam bares e restaurantes impacta diretamente o fluxo de clientes e, consequentemente, o faturamento do setor. Ele destaca que essa queda no poder de compra é observada em todo o Brasil, mas é mais acentuada na região.
Diante dessa situação, Machado recomenda aos empresários um controle rigoroso na operação, especialmente na gestão das compras, pois adquiri-las a preços mais baixos aumenta a margem de lucro.
Apesar do cenário atual, há expectativa de melhora nos próximos meses, pois o primeiro quadrimestre tende a ser mais fraco para o setor, com o segundo semestre apresentando tradicionalmente maior movimento e crescimento no faturamento.
Raimunda Costa, dona do Bar da Raimunda no Beco da Lama, relata que as vendas têm caído continuamente. Ela ressalta o aumento constante nos custos do gás, verduras, feijão e carne, e ressalta que o público reclama quando há aumento no preço dos pratos.
Isis Santos, sócia-proprietária do Restaurante Old Five em Ponta Negra, comenta que apesar de um bom desempenho no início do ano, foi necessário reajustar os preços para acompanhar a inflação, adotando economia nos custos sem demitir funcionários.
O economista Ricardo Valério, superintendente do Conselho Regional de Economia do RN (Corecon/RN), avalia que o desempenho do setor em 2026 está diretamente condicionado a fatores macroeconômicos, como juros elevados, inflação e o endividamento das famílias.
Segundo ele, o consumo está pressionado por custos altos para os empresários e pela menor capacidade de gasto dos consumidores, o que intensifica a retração da demanda. Ele destaca que as dificuldades financeiras do público levaram a uma redução drástica do consumo.
Além disso, Valério explica que o setor enfrenta dificuldades para repassar o aumento dos preços aos consumidores, pois em 2025 muitos estabelecimentos conseguiram apenas repasses parciais da inflação, comprometendo as margens de lucro, situação agravada pelo crescente endividamento das famílias, que restringe ainda mais o consumo.
Créditos: Tribuna do Norte