Polícia Federal rejeita proposta de delação premiada de Daniel Vorcaro

A Polícia Federal rejeitou a proposta de delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro. A decisão foi informada aos advogados do banqueiro e ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do caso Master.
Apesar da recusa da PF, a Procuradoria-Geral da República (PGR) ainda pode analisar a proposta individualmente. O acordo estava sendo negociado de modo conjunto entre a PF e a PGR, que ainda não se manifestou sobre a proposta.
Os investigadores reclamaram que o material apresentado pela defesa acrescentava pouco ao que já havia sido apurado pela PF, e indicaram que Vorcaro agia para proteger pessoas próximas.
Foram apreendidos mais de oito celulares do banqueiro, e a perícia inicial em parte desses aparelhos revelou que o esquema de Vorcaro ultrapassa fraudes financeiras, envolvendo também corrupção, organização criminosa e o uso de uma milícia privada para atacar adversários e acessar dados sigilosos.
Na terça-feira (19), a pedido da PF, Vorcaro foi transferido para uma cela comum na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde estará sujeito às regras internas da instituição, como o recebimento de visitas dos advogados.
Anteriormente, ele estava em uma sala com padrão de “Estado-maior”, mesma usada para a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, entre novembro de 2025 e janeiro deste ano.
Vorcaro foi transferido no dia 19 de março da Penitenciária Federal de Brasília para a sede da PF na capital. No dia anterior, o advogado do banqueiro comunicou o interesse em firmar um acordo de delação premiada.
Nesse mesmo dia, ele assinou o termo de confidencialidade, abrindo caminho para a delação. No início do mês, a defesa finalizou os anexos da delação e entregou o material em um pen drive às autoridades.
De acordo com o blog da Andreia Sadi, a negociação da delação foca na devolução de recursos e na eventual comprovação de atos de autoridades mencionadas, tendo caráter técnico, sem alvos ou exclusões pré-definidas.
A proposta preliminar, apresentada há cerca de um mês, foi considerada fraca por policiais federais e procuradores, pois não trazia novidades em relação ao inquérito da “Operação Compliance Zero”, que levou à prisão de Vorcaro, repetindo informações e diálogos já conhecidos.
Fontes próximas à investigação apontam que Vorcaro não mencionou nomes no topo da hierarquia da organização criminosa, já identificados pelos investigadores. A PF e a PGR fizeram diversos apontamentos sobre a proposta.
Créditos: G1 Globo