Rivais mantêm silêncio sobre operação da PF contra Jaques Wagner na Bahia

ACM Neto e seu grupo político optaram por não explorar publicamente a operação da Polícia Federal contra o senador Jaques Wagner, na Bahia. Essa decisão revela um “pacto de silêncio” para evitar que o escândalo influencie as eleições no estado.
Neto afirmou que a investigação é uma questão que cabe ao Judiciário e expressou a expectativa de que seja feita de forma completa, imparcial e correta, ressaltando a necessidade de aguardar os possíveis desdobramentos. Ele tem evitado o assunto em redes sociais e em declarações públicas, procurando evitar nacionalizar o debate eleitoral.
Jaques Wagner é alvo de apurações acerca de possíveis atos em benefício do banco Master e de seu ex-sócio Augusto Lima no Congresso, indicando supostas vantagens indevidas. A Polícia Federal investiga se Wagner apoiou projetos legislativos importantes para a instituição financeira, incluindo a “emenda Master”, que ampliaria a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Em troca, o senador teria recebido benefícios como uso de aeronave, ingressos para shows internacionais e um apartamento avaliado em R$ 2,4 milhões, localizado em Salvador.
A campanha de ACM Neto sofreu impacto com o episódio Master, derivado de documentos que indicaram pagamentos de R$ 5,4 milhões ao ex-prefeito, via sua consultoria, entre 2023 e 2025. Esse fato motivou ambos os grupos políticos a evitarem acusações públicas, visando resguardar seus interesses eleitorais.
O ex-ministro da Cidadania João Roma, aliado de ACM Neto e candidato ao Senado, foi quem criticou publicamente a operação. Roma classificou a investigação como “muito grave” e reforçou a importância de conduzir as investigações com independência e respeito ao devido processo legal. Ele também censurou a postura de Wagner no Senado, destacando que o político tem tratado o caso de forma debochada, fazendo críticas a adversários e ocultando suas relações.
Na eleição deste ano, o PT apresenta o governador Jerônimo Rodrigues à reeleição, que disputará com ACM Neto uma reedição do pleito apertado em 2022, salvo pela vitória de Jerônimo no segundo turno com 52,8%. Para o Senado, a disputa inclui os petistas Rui Costa e Jaques Wagner contra os candidatos da direita João Roma e Angelo Coronel.
Enquanto ACM Neto evita alinhamento formal com a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, apesar da aliança local com o PL, a campanha de Jerônimo busca centrar a atenção no presidente Lula como figura chave.
A investigação também menciona uma antiga relação empresarial entre Wagner e Augusto Lima, cujo grupo adquiriu a Empresa Baiana de Alimentos (Ebal) e estabeleceu parcerias financeiras com o banco Master. Wagner nega ter recebido valores vinculados ao banco ou ter agido para beneficiá-lo.
ACM Neto, por sua vez, afirma que sua relação com o banco foi estabelecida sem ocupar cargo público na época e que sua participação se limita à análise da agenda político-econômica e reuniões com representantes do banco.
Créditos: O Globo