Rivais mantêm silêncio sobre operação da PF contra Jaques Wagner na Bahia

22 de junho de 2026

Rivais mantêm silêncio sobre operação da PF contra Jaques Wagner na Bahia

ACM Neto e seu grupo político optaram por não explorar publicamente a operação da Polícia Federal contra o senador Jaques Wagner, na Bahia. Essa decisão revela um “pacto de silêncio” para evitar que o escândalo influencie as eleições no estado.

Neto afirmou que a investigação é uma questão que cabe ao Judiciário e expressou a expectativa de que seja feita de forma completa, imparcial e correta, ressaltando a necessidade de aguardar os possíveis desdobramentos. Ele tem evitado o assunto em redes sociais e em declarações públicas, procurando evitar nacionalizar o debate eleitoral.

Jaques Wagner é alvo de apurações acerca de possíveis atos em benefício do banco Master e de seu ex-sócio Augusto Lima no Congresso, indicando supostas vantagens indevidas. A Polícia Federal investiga se Wagner apoiou projetos legislativos importantes para a instituição financeira, incluindo a “emenda Master”, que ampliaria a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Em troca, o senador teria recebido benefícios como uso de aeronave, ingressos para shows internacionais e um apartamento avaliado em R$ 2,4 milhões, localizado em Salvador.

A campanha de ACM Neto sofreu impacto com o episódio Master, derivado de documentos que indicaram pagamentos de R$ 5,4 milhões ao ex-prefeito, via sua consultoria, entre 2023 e 2025. Esse fato motivou ambos os grupos políticos a evitarem acusações públicas, visando resguardar seus interesses eleitorais.

O ex-ministro da Cidadania João Roma, aliado de ACM Neto e candidato ao Senado, foi quem criticou publicamente a operação. Roma classificou a investigação como “muito grave” e reforçou a importância de conduzir as investigações com independência e respeito ao devido processo legal. Ele também censurou a postura de Wagner no Senado, destacando que o político tem tratado o caso de forma debochada, fazendo críticas a adversários e ocultando suas relações.

Na eleição deste ano, o PT apresenta o governador Jerônimo Rodrigues à reeleição, que disputará com ACM Neto uma reedição do pleito apertado em 2022, salvo pela vitória de Jerônimo no segundo turno com 52,8%. Para o Senado, a disputa inclui os petistas Rui Costa e Jaques Wagner contra os candidatos da direita João Roma e Angelo Coronel.

Enquanto ACM Neto evita alinhamento formal com a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, apesar da aliança local com o PL, a campanha de Jerônimo busca centrar a atenção no presidente Lula como figura chave.

A investigação também menciona uma antiga relação empresarial entre Wagner e Augusto Lima, cujo grupo adquiriu a Empresa Baiana de Alimentos (Ebal) e estabeleceu parcerias financeiras com o banco Master. Wagner nega ter recebido valores vinculados ao banco ou ter agido para beneficiá-lo.

ACM Neto, por sua vez, afirma que sua relação com o banco foi estabelecida sem ocupar cargo público na época e que sua participação se limita à análise da agenda político-econômica e reuniões com representantes do banco.

Créditos: O Globo

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