Com Dourado agonizando, Caern usará Gargalheiras em toda a rede de abastecimento de Currais Novos e prevê queda de vazão

Sem chuvas significativas ao longo dos dois últimos anos, o Açude Dourado, principal reservatório do município de Currais Novos, no Seridó potiguar, está muito perto de secar completamente. O atual panorama do manancial está detalhado em documento oficial enviado pela Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern) a entes públicos, confirmando que o abastecimento do município currais-novense passará a ser feito, integralmente, a partir do mês de setembro, com águas captadas pelo Açude Marechal Dutra, o Gargalheiras, localizado em Acari.
Em condições normais, o reservatório acariense já era responsável por 70% do abastecimento de Currais Novos, município com mais de 40 mil habitantes. Com o ajuste provocado pelo atual cenário do manancial local, a Caern estima redução entre 20% e 30% na vazão distribuída para a cidade, exigindo a implantação de manobras no abastecimento dos diferentes setores de Currais Novos. A companhia informou que trabalha para prolongar o funcionamento do sistema e reduzir os impactos à população, mas admite que o cenário exigirá adaptação e planejamento para medidas emergenciais.
As informações constam em documento obtido pela TRIBUNA DO NORTE com detalhes informados pela gerência regional da Caern no Seridó ao prefeito Lucas Galvão, à Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (SEMARH) e à Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil (COPDEC).
Atualmente, o reservatório está com apenas 1,16% de sua capacidade, com a comporta pela qual é retirada água do reservatório totalmente aparente. De acordo com o documento, a situação vem sendo de queda no volume do Dourado ao longo de 2026. O reservatório começou o ano com 7,66% da capacidade em janeiro, passou para 6,10% em março, 4,65% em maio e 2,71% em julho, até atingir o atual índice de 1,16%. Em dezembro de 2025, o volume ainda era de 13,86%. A última sangria ocorreu no ano de 2024, no mês de março.
Segundo a estatal, Currais Novos enfrenta um cenário de seca moderada, conforme os dados analisados a partir do Monitor de Secas, coordenado pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico.
A Caern atribui a redução do volume à continuidade dos usos da água sem uma recomposição suficiente do reservatório, inclusive durante o período chuvoso registrado na região entre fevereiro e maio. A preocupação, segundo o documento, não está restrita à quantidade de água disponível. A redução do volume também pode comprometer diretamente a qualidade da água do manancial e, consequentemente, as condições de operação do sistema de abastecimento.
Tribuna do Norte