Ministros Kassio Nunes Marques e Dias Toffoli se declaram impedidos em julgamento no STF

Os ministros Kassio Nunes Marques e Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), declararam-se hoje impedidos de votar no julgamento que decidirá sobre a abertura de uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes. Com essa decisão, o julgamento contará, no máximo, com o voto de oito dos integrantes da corte.
A decisão de Nunes Marques aconteceu após a divulgação de mensagens de Daniel Vorcaro. Nelas, o então diretor jurídico do Banco Master, Luiz Rennó, menciona pagamentos de “R$ 500 mil por mês” ao advogado Kevin Marques, filho do ministro. Em outubro de 2024, Rennó enviou uma planilha com o nome e telefone de Kevin com a legenda “Dominado aqui”. No ano seguinte, Rennó questionou se o valor seria mantido e cobrou a inclusão da Consult entre os “pagamentos essenciais”.
No plenário, o ministro Kassio Nunes Marques negou que seu filho tenha prestado serviços ao banco. Ele afirmou não se sentir confortável para participar do julgamento e declarou seu impedimento. Nunes Marques também negou ter trocado mensagens com o banqueiro, pediu para sair do plenário e deixou o local.
Já o ministro Dias Toffoli, que anteriormente já havia se declarado suspeito nos casos relacionados ao Banco Master, destacou que sua decisão hoje se baseia em “foro íntimo, não impedimento”. Ele justificou sua postura como forma de evitar constrangimento ao tribunal. No início do ano, Toffoli admitiu ser sócio de um resort no Paraná, o Tayayá, que chegou a ser comprado por um dos investigados no caso Master, o cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel.
Ao contrário de Nunes Marques, Toffoli permaneceu no plenário. Ele declarou sua suspeição para o julgamento, porém afirmou que permaneceria para acompanhar a sessão e, se necessário, faria uso da palavra.
Os ministros devem decidir se autorizam a abertura de uma investigação contra Alexandre de Moraes, começando pela análise do relatório da Polícia Federal que revelou conversas entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A sessão foi convocada pelo presidente do Supremo e o ministro Edson Fachin restringiu a pauta apenas ao caso de Moraes, adiando para 23 de setembro a análise de possível conduta irregular envolvendo André Mendonça.
Essa é a primeira vez que o STF se reúne para decidir sobre a abertura de inquérito contra um de seus membros. Ministros próximos a Moraes defendiam o adiamento ou o cancelamento da sessão, argumentando que o pedido relacionado a Mendonça deveria ser julgado conjuntamente.
Poucas horas antes do julgamento, diálogos de Vorcaro envolvendo outros ministros foram divulgados. Há conversas do ex-banqueiro com filhos de dois ministros, Luiz Fux e Kassio Nunes Marques, além de um advogado ligado a um terceiro ministro, Mendonça. Essas mensagens foram vazadas após o conteúdo do aparelho ter sido enviado aos gabinetes.
Créditos: UOL