Morre Netinho, ícone do axé, aos 60 anos após luta contra câncer

13 de outubro de 2026

Morre Netinho, ícone do axé, aos 60 anos após luta contra câncer

O cantor Netinho faleceu nesta terça-feira (13), aos 60 anos, devido a um linfoma. A doença foi detectada no início de 2025, quando ele foi internado no Hospital Aliança, em Salvador, com dores intensas nas costas e dificuldades para se locomover. Embora tratado à época, o linfoma retornou em 2026 com maior agressividade.

Netinho era acompanhado pela equipe da doutora Gloria Bomfim Arruda. Ao anunciar a volta da doença no início do ano, detalhou que o tratamento seria realizado em laboratório por ser um caso raro, dispensando internação constante. O protocolo incluía um transplante autólogo de medula óssea, com o próprio paciente como doador.

O sumiço do artista das redes sociais intensificou a preocupação dos fãs. Nos últimos meses, ele evitou entrevistas, atualizando o público apenas pelo Instagram, sempre frisando que qualquer comunicado oficial viria apenas por seus canais. Sua última postagem foi em 30 de agosto.

Uma colega de trabalho do cantor tentou tranquilizar os fãs em uma rede social, afirmando que Netinho estava focado no tratamento e que o linfoma era complicado. Ela pediu orações para a cura.

Netinho planejava um grande retorno aos palcos com um projeto autoral que uniria sua trajetória à tecnologia, assistida por inteligência artificial. Intitulado provisoriamente de “1966”, ano de seu nascimento, o show prometia ser seu mais belo até então, combinando tecnologia atual e talento dos músicos em sua banda.

Sua última apresentação foi em 25 de outubro de 2025, em Coronel Fabriciano, Minas Gerais, durante a festa Mares do Sul.

Nascido em Santo Antônio de Jesus, Bahia, Netinho foi uma das vozes mais importantes do Axé Music. Ganhou reconhecimento nacional no fim dos anos 1980 ao assumir os vocais da Banda Beijo em 1988, com sucessos que viraram clássicos do Carnaval, como “Beijo na Boca”.

Iniciou carreira solo em 1993 com o álbum “Um Beijo Pra Você” e se consolidou com hits como “Milla”, de Manno Góes, tornando-se um dos principais puxadores de trio elétrico do país. Outros sucessos incluem “Preciso de Você”, “Capricho dos Deuses”, “Estrela Primeira”, “Menina” e “Fim de Semana”.

Netinho foi pioneiro no Axé Music ao levar um trio elétrico para fora do Brasil durante a Copa do Mundo de 1990, na Itália, apresentando-se em frente ao Estádio Delle Alpi, em Turim. Também quebrou recordes de público em Lisboa, com cinco shows esgotados no Coliseu em 1998.

Com “Milla”, o axé foi regravado em mais de oito idiomas, incluindo o russo. Ele também foi o primeiro baiano a gravar um CD ao vivo no gênero, abrindo caminho para outros lançamentos semelhantes.

Em 2013, Netinho passou por um grave episódio de saúde, sendo internado com dores na coxa depois de treino. Foi diagnosticado com rompimento muscular e alterações hepáticas, passou por biópsia com hemorragia e precisou de cirurgia devido a complicações respiratórias e renais.

Foi transferido ao hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, e revelou ter enfrentado essas complicações devido ao uso de anabolizantes, interrompendo o consumo após orientação médica.

Ao longo da carreira, Netinho gerou controvérsia no Axé Music por críticas ao Carnaval de Salvador e declarações sobre a comunidade LGBTQIAPN+, incluindo chamar o Carnaval de “Sodoma e Gomorra”.

Nos anos recentes, posicionou-se politicamente como apoiador da extrema-direita e do ex-presidente Jair Bolsonaro, chegando a se filiar ao Partido Liberal em 2022 para concorrer a deputado federal pela Bahia. Embora tenha recebido 31.448 votos, não foi eleito.

Sua trajetória política incluiu apoio a atos antidemocráticos, como a invasão dos Três Poderes em Brasília, o que ocasionou o cancelamento de shows, como no Iate Club de Aracaju.

Posteriormente, voltou a se apresentar nesse local, realizando um dos últimos shows antes da primeira internação.

Créditos: Bahia Noticias

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