Canetas emagrecedoras influenciam cardápios e consumo em restaurantes no RS

22 de julho de 2026

Canetas emagrecedoras influenciam cardápios e consumo em restaurantes no RS

A popularidade das canetas emagrecedoras tem impactado o comportamento dos consumidores e, consequentemente, a operação de bares e restaurantes. Esses estabelecimentos estão ajustando seus cardápios e o tamanho das porções para atender ao menor apetite dos clientes.

De acordo com uma pesquisa da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), 61% dos estabelecimentos do setor no país já percebem mudanças no padrão de consumo causadas pelo uso desses medicamentos. Entre as alterações identificadas estão a redução nos pedidos de pratos principais e sobremesas, maior procura por porções menores e modificações no consumo de bebidas.

Em Porto Alegre, essa transformação começa a se refletir nos cardápios. Em muitos lugares, as opções menores ainda precisam ser solicitadas. Leonardo Dorneles, presidente da Abrasel-RS, observa que essa tendência deve crescer com a adaptação dos negócios, que podem ver nisso uma oportunidade ao invés de uma crise.

Ele aponta seis tendências relativas a essas mudanças de comportamento.

A chef Maria Fernanda Tartoni, do Tartoni Ristorante, confirma que o menor apetite dos clientes já é evidente. Para acompanhar essa mudança, o restaurante oferece pratos com porções reduzidas, cerca de 70% do tamanho padrão, estratégia que visa atender à fidelidade do público e diminuir o desperdício.

Outra casa que adotou o novo formato é a NB Steak, que lançou o Menu Essencial com cortes de 250 gramas acompanhados por saladas e acompanhamentos servidos à mesa. Arri Coser, proprietário da rede, destaca que a opção surge a partir de pedidos dos clientes e espera aumentar o movimento em 20%.

Além disso, buffets tradicionais do Estado também estão se ajustando. O restaurante Fue, em Porto Alegre, passará a oferecer, além do buffet livre, uma alternativa a quilo sem bebida, buscando ampliar o movimento em 20%, segundo o proprietário Heraldo Almeida.

Os empresários relatam ainda mudanças no consumo: aumento da procura por carnes e queda no consumo de carboidratos, o que impacta os custos operacionais.

Importante lembrar que opções reduzidas diferem dos descontos legais para pacientes bariátricos, presentes em lei municipal de Porto Alegre, que exigem comprovação médica para descontos em determinados pratos específicos.

A nutricionista Victoria Prates alerta que, embora os remédios reduzam o apetite e o consumo, é crucial que as pessoas mantenham uma alimentação equilibrada. Ela destaca que alguns usuários diminuem a quantidade de comida sem priorizar a qualidade.

O uso dos medicamentos emagrecedores Ozempic e Mounjaro tem aumentado rapidamente no Brasil, a ponto da importação dessas canetas superar a de outros produtos importados, como celulares, conforme dados do Ministério do Desenvolvimento.

No Rio Grande do Sul, não há dados oficiais da Secretaria de Saúde ou do Conselho Regional de Farmácia sobre o número de usuários desses remédios, mas é sabido que eles crescem. Recentemente, com a queda da patente do Ozempic, novos medicamentos devem chegar ao mercado brasileiro, com preços a partir de R$ 452, o que pode ampliar ainda mais o uso.

Créditos: GaúchaZH

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