Denúncia acusa Romeu Zema de decreto que favoreceu Banco Master em MG

7 de agosto de 2026

Denúncia acusa Romeu Zema de decreto que favoreceu Banco Master em MG

O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), foi acusado pela deputada estadual Bella Gonçalves (PT) de ter alterado por decreto uma legislação para beneficiar o Banco Master, em detrimento do endividamento dos servidores públicos. A denúncia foi apresentada à Polícia Federal em forma de notícia-crime.

De acordo com a alegação, o favorecimento ilegal resultou em doações significativas ao Partido Novo, incluindo uma doação de R$ 1 milhão feita por Henrique Vorcaro, pai do dono do Banco Master, pouco antes da campanha de reeleição de Zema.

Bella Gonçalves ressaltou a suspeita da ligação entre a doação e o decreto, que teria direcionado servidores para o uso do crédito consignado oferecido pelo cartão Credcesta do Banco Master.

Henrique Vorcaro foi preso recentemente na Operação Compliance Zero, acusado de comandar uma milícia pessoal, conforme apuração da Polícia Federal.

A deputada também relacionou o caso a práticas semelhantes observadas em governos de extrema direita, citando exemplos como o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), com conexões ao Banco Master e seus financiadores.

Em 2022, durante o governo Bolsonaro, um decreto alterou o funcionamento do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) para viabilizar o crédito na folha consignada por meio do cartão benefício consignado, modalidade exclusiva para aposentados, pensionistas e servidores públicos.

Em Minas Gerais, a Lei 23.923, sancionada em setembro de 2021, ampliou em 10% a margem para consignação em folha dos servidores. No entanto, a ampliação beneficiou praticamente só o cartão Credcesta, ofertado pelo Banco Master, evidenciando um direcionamento na oferta de crédito.

A deputada explicou que essa linha de crédito é uma das mais seguras do mercado financeiro, pois o pagamento é descontado diretamente na folha ou benefício do titular.

O crescimento do Banco Master foi atribuído à facilitação desse crédito consignado indicado pelo governo estadual.

Dados da Radiografia do Endividamento de 2026 apontam Belo Horizonte como a capital mais inadimplente do Brasil, com seis em cada dez famílias com contas vencidas, evidenciando o impacto do endividamento na população.

Segundo Bella Gonçalves, enquanto o governo federal busca soluções para a questão da dívida, os servidores afetados pelo esquema do Banco Master enfrentam dificuldades para renegociar débitos devido à liquidação do banco, gerando angústia e desespero.

Além disso, a denúncia inclui suspeitas sobre doações de campanha e favorecimentos fiscais vinculados a empresários como Salim Mattar e sócios da Localiza Rent a Car durante o governo Zema.

Outros benefícios ao Banco Master foram mencionados, envolvendo processos de mineração na Serra do Curral e em Itaminas, com perdão de dívidas ao Estado durante a administração de Zema.

Após a apresentação da notícia-crime em 14 de maio, espera-se que a Polícia Federal e o Ministério Público Federal abram inquéritos para investigar os fatos.

O governo de Minas informou que o Decreto nº 48.370/2022 permitiu a ampliação da margem consignável por meio do cartão benefício consignado de forma genérica, não vinculada a instituição financeira exclusiva. Ressaltou que, na época da vigência do decreto, três bancos ofereciam o serviço, demonstrando a transparência da medida.

Créditos: Brasil de Fato

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