EUA anunciam tarifaço sobre produtos brasileiros e avaliam exceções

Jamieson Greer, chefe do Escritório do Representante Comercial da Casa Branca (USTR), informou a interlocutores do governo Lula ter levado ao presidente Donald Trump a recomendação final de um novo tarifaço para produtos brasileiros, indicando, no entanto, uma possível ampliação da lista de exclusões.
Na última reunião entre os dois países, ocorrida em 14 de julho de 2026, Greer declarou as negociações encerradas e criticou a falta de empenho do Brasil, embora até o fechamento desta edição não tenha havido confirmação oficial.
No entanto, autoridades brasileiras, incluindo o ministro Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria e Comércio), e os embaixadores Mauricio Lyrio e Audo Faleiro, rebateu fortemente os argumentos americanos, questionando a falta de fundamentos técnicos na investigação da Seção 301, como as acusações de aumento do desmatamento, contrariadas pelos dados oficiais da Amazônia.
O governo brasileiro também ressaltou que havia oferecido discutir a redução das tarifas de importação sobre etanol em troca de maior acesso ao mercado americano para o açúcar, proposta rejeitada pelo USTR. Greer informou a duas fontes da CNN que não haverá uma “lista dinâmica” de exceções, diferentemente das alíquotas de 2025, indicando que não deve haver ampliação gradual dos produtos isentos.
Apesar disso, Greer afirmou que considerou os argumentos do setor privado e do governo brasileiro para expandir as exceções já na divulgação do tarifaço.
Durante a reunião, os assessores presidenciais destacaram que grande parte do comércio bilateral é composto por subsidiárias de empresas americanas exportando peças produzidas no Brasil para os Estados Unidos, tese bem recebida pelo USTR, o que pode resultar na isenção de mais produtos industrializados da taxação.
Atualmente, o tarifaço afetaria 21% das exportações brasileiras para os EUA em valores, e o governo Lula demonstra otimismo em reduzir esse impacto.
No encerramento do encontro virtual, Greer mostrou-se aberto a manter o diálogo com o governo brasileiro, recebendo a declaração das autoridades locais: “Nós estamos aqui”.
Créditos: Tribuna do Norte