Governador Tarcísio demite delegado Da Cunha da Polícia Civil de SP

O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) removeu o deputado federal Carlos Alberto da Cunha (União-SP), conhecido como Delegado Da Cunha, dos quadros da Polícia Civil de São Paulo. A demissão foi publicada no Diário Oficial do Estado na quinta-feira (3/9), após a administração validar acusações formais contra o parlamentar em processo administrativo.
O deputado recebeu a penalidade de demissão a bem do serviço público, prevista no Estatuto da Polícia Civil paulista. O governo entendeu que ele cometeu uma irregularidade grave, enquadrada em normas que envolvem a divulgação intencional de informações sigilosas obtidas pelo cargo, com prejuízo ao Estado ou a terceiros, além da prática de ato definido por lei como improbidade.
Delegado Da Cunha, pré-candidato a deputado federal pelo PP de São Paulo, ganhou projeção nacional ao divulgar vídeos de operações policiais no YouTube. Ele já foi investigado pela Corregedoria por usar a Polícia Civil para promoção pessoal.
Em 2020, foi acusado de obrigar a vítima de um sequestro e um criminoso a retornarem a um cativeiro desativado para reencenar e gravar a ação policial, fato que ele admitiu. O processo judicial sobre esse episódio foi arquivado em 2024.
No ano seguinte, em 2021, foi afastado das ruas, teve sua arma e distintivo recolhidos, e enfrentou procedimentos na Corregedoria devido a suspeitas de uso da estrutura policial para gravações em suas redes sociais. Nesse período, pediu licença não remunerada.
Já como deputado federal, tornou-se réu por violência doméstica contra a ex-companheira Betina Grusiecki, sendo denunciado pelo Ministério Público de São Paulo por lesão corporal, ameaça e dano qualificado, acusações que ele nega.
Em fevereiro de 2026, sua participação na reinauguração de uma Delegacia de Defesa da Mulher em São Paulo causou críticas de entidades que atuam no combate à violência contra a mulher.
A publicação que oficializou a demissão também cita parecer e despacho da Assessoria Jurídica do Governo, datados de 1º de setembro, como suporte à decisão. Da Cunha, que estava licenciado da instituição, não foi encontrado para comentar a medida, e o espaço para resposta permanece aberto.
Créditos: Metropoles