Grupo controlador da Lojas Marabraz pede recuperação judicial com R$ 140 mi em dívidas

A Comercial de Móveis Jordanésia, juntamente com outras quatro empresas do grupo controlador da Lojas Marabraz — S.V.C. Jaraguá, Comercial Móveis das Nações, Comercial Zena Móveis e Monta Móveis — entrou com pedido de recuperação judicial na 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo. A petição inicial, datada de 15 de agosto e obtida pelo Valor, aponta um valor de R$ 140,19 milhões referente aos créditos envolvidos no processo.
O pedido ocorre após a Justiça ter decretado falência da Jordanésia em outro processo, cuja decisão está suspensa devido a efeito suspensivo concedido pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. O mesmo juízo está designado para julgar o pedido de recuperação em razão do pedido falimentar anterior.
A petição atribui a crise financeira não às operações, mas ao financiamento. Segundo o documento, os imóveis comerciais e centros de distribuição que sustentavam as garantias do grupo estavam vinculados a uma sociedade patrimonial da família controladora. A ruptura societária e familiar retirou dos administradores o controle desses ativos. Sem essas garantias, os bancos passaram a exigir novas garantias, reduziram limites, aumentaram custos e deixaram de renovar linhas essenciais para o capital de giro, fundamental em um segmento que depende constantemente de crédito para formar estoques.
O grupo solicitou a recuperação judicial sem as demonstrações contábeis oficiais previstas na Lei de Recuperação e Falências, alegando impossibilidade de acesso ao sistema que registra seus dados financeiros devido à interrupção dos serviços da Oracle do Brasil Sistemas. Pede, assim, a restauração do acesso, comprometendo-se a apresentar a documentação em até 30 dias após o restabelecimento.
A petição também menciona mais de mil reclamações trabalhistas contra várias empresas do grupo e solicita que locadores que já obtiveram medidas de despejo possibilitem a retirada de mercadorias e equipamentos das unidades. No passado, a rede operou 135 lojas em São Paulo, embora o documento não informe quantas delas permanecem abertas.
Fontes próximas afirmam que a marca mantém forte reconhecimento entre os consumidores e que a recuperação depende da recomposição do capital de giro para reabastecer as lojas, medida que está sendo estudada. Essas mesmas fontes garantem que a disputa familiar não envolve as empresas que apresentam a recuperação judicial.
O grupo também pede a nomeação de um administrador judicial, o prazo de 60 dias para apresentar o plano de recuperação e a suspensão das execuções por 180 dias.
Até o fechamento desta matéria, a assessoria da Marabraz não respondeu ao contato para manifestação.
Créditos: Valor Globo