Relatório da PF sugere tentativa de Vorcaro influenciar voto de Toffoli no STF

11 de setembro de 2026

Relatório da PF sugere tentativa de Vorcaro influenciar voto de Toffoli no STF

Um relatório da Polícia Federal (PF) levanta a suspeita de que o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, tentou influenciar o voto do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), em um julgamento importante para sua instituição financeira. A informação foi publicada pela revista piauí e consta em documento entregue pelo chefe da PF, Andrei Rodrigues, ao presidente do STF, Edson Fachin, mantido em sigilo até o momento.

O gabinete de Toffoli afirmou que o julgamento ocorreu inicialmente em pauta virtual, com o ministro acompanhando o voto do relator, e que na sessão presencial o voto foi mantido, sem alteração de posicionamento.

O caso envolvia um pedido bilionário de indenização de uma empresa do setor sucroalcooleiro contra a União, referente a prejuízos da década de 1980. Embora o Banco Master não fosse parte no processo, o resultado influenciaria significativamente a instituição, que possuía mais de R$ 10 bilhões em precatórios de usinas em seu balanço, segundo a revista.

Antes, Toffoli tinha histórico de apoiar usinas em casos de precatórios. Por outro lado, dias antes do julgamento em questão, o ministro votou a favor da União em outra ação do setor sucroalcooleiro, contrariando suas decisões anteriores. Essa mudança atingiu interlocutores de Vorcaro, entre eles o ex-ministro das Comunicações Fábio Faria, que agia como articulador do banqueiro, e enviou a Vorcaro a mensagem: “Matou a gente”.

Em mensagens trocadas, o diretor jurídico do banco expressou a relevância do processo como paradigma para outras ações e sugeriu a necessidade de “movimentação”. Vorcaro confirmou estar ciente da mudança de voto de Toffoli, dizendo: “Toffoli virou o voto” e “Tô tratando aqui”.

O julgamento foi adiado após pedido de vista do ministro Kassio Nunes Marques e retomado em 1º de outubro de 2024, quando Toffoli votou a favor da empresa sucroalcooleira.

Vorcaro recebeu a notícia do resultado no mesmo dia com uma mensagem afirmando “Ganhamos”, à qual respondeu com um emoji de aprovação.

O relatório da PF aponta que os fatos precisam de análise aprofundada para conclusões definitivas. Destaca a relevância das mensagens trocadas próximo ao julgamento, em que se discute a necessidade de ações relativas ao processo.

Além disso, o documento indica suspeita de que Toffoli poderia ser beneficiário final de recursos enviados por Vorcaro a uma holding offshore nas Ilhas Virgens Britânicas, paraíso fiscal, com cerca de R$ 35 milhões tendo passado pelo fundo Arleen, criado com aportes do Banco Master, antes de serem transferidos ao exterior.

O fundo Arleen foi sócio do resort Tayayá, no Paraná, propriedade da família de Toffoli via a empresa Maridt Participações. Vorcaro monitorava os aportes ao empreendimento e cobrava pagamentos, inclusive diretamente de Toffoli.

Em novembro de 2025, Vorcaro negociou a saída do Arleen, vendendo o fundo a um empresário ligado a Toffoli, orientando que a negociação fosse feita sem expor o nome do comprador. Posteriormente, o Arleen mudou seu regulamento para investir no exterior e transferiu todos os ativos para a holding nas Ilhas Virgens.

O relatório da PF sugere que, com base em vários elementos, Toffoli pode ter sido o beneficiário final ou dono de fato do fundo Arleen e seus ativos.

O GLOBO não conseguiu contato com Fábio Faria. Em fevereiro de 2026, o Metrópoles divulgou reportagens sobre as conversas entre Faria e Vorcaro, que negou tratar de ações judiciais envolvendo Toffoli ou relações institucionais com o banco. A defesa de Vorcaro ainda não se manifestou, e o espaço está aberto para esclarecimentos.

Créditos: O Globo

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