Rio Grande do Norte foi pioneiro no voto feminino no Brasil em 1927

3 de agosto de 2026

Rio Grande do Norte foi pioneiro no voto feminino no Brasil em 1927

Mulheres do Rio Grande do Norte desempenham um papel singular na história do sufrágio feminino no Brasil. A professora Fernanda Abreu, da Universidade Estadual do Rio Grande do Norte (UERN), ressalta que o estado foi pioneiro no país e na América do Sul na luta pelo direito ao voto.

Em 25 de outubro de 1927, o presidente do estado Juvenal Lamartine aprovou a lei estadual nº 660, que estabeleceu a igualdade entre os sexos para o exercício do voto, sendo a primeira legislação no Brasil a garantir isso institucionalmente. Juvenal Lamartine tinha afinidade com a causa, incentivado pelo diálogo com a sufragista Bertha Lutz.

Em novembro de 1927, Celina Guimarães Viana, natural de Mossoró, solicitou seu alistamento eleitoral de forma individual, tornando-se a primeira mulher eleitora do Brasil e da América do Sul. Ela votou pela primeira vez em 5 de abril de 1928. No mesmo dia, Júlia Alves Barbosa Cavalcante, de Natal, também se alistou, tornando-se a segunda eleitora no país. Ao todo, 15 mulheres votaram no Rio Grande do Norte naquele ano.

O pioneirismo do estado também se estendeu às candidaturas femininas. Em 1928, Alzira Soriano de Nóbrega Teixeira foi eleita prefeita da cidade de Lajes, com cerca de 60% dos votos, conforme noticiado pelo The New York Times. Alzira enfrentou ataques misóginos durante a campanha, incluindo insinuações de que mulheres públicas seriam prostitutas, mas sua vitória foi uma conquista política real.

A pesquisadora Cibele Tenório, da Universidade de Brasília (UnB), destaca que a conquista do voto precedeu as candidaturas femininas e que a resistência ao voto estava ligada ao medo das pautas sociais defendidas pelas mulheres.

No Rio Grande do Norte, o ambiente institucional propiciado pela lei de 1927, resultado de pressões políticas e da articulação de Bertha Lutz com o governo estadual, possibilitou os avanços. Sem essa lei, Celina Guimarães não teria votado e Alzira Soriano não teria se candidatado.

Segundo Fernanda Abreu, o caso do Rio Grande do Norte é raro por ter ocorrido antes do marco nacional de 1932 e simultaneamente nas esferas eleitoral e política. Ela ressaltou que a organização feminista aliada a um ambiente político receptivo acelerou esses avanços.

Destaca-se que as mulheres que reivindicaram esses direitos eram cidadãs comuns, cujo ato de buscar o sufrágio foi um gesto subversivo e poderoso na história do país.

Créditos: Tribuna do Norte

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