TN: Setor produtivo do RN diz que fim da escala 6×1 pode “elevar custos”

16 de outubro de 2026

A entrada em vigor da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6×1 deverá elevar os custos operacionais e comprometer a competitividade das empresas potiguares. Representantes de diferentes setores econômicos do Rio Grande do Norte avaliam que os impactos dependerão da capacidade de adaptação de cada segmento, mesmo com o período de transição.

O texto que reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas foi aprovado pelo Senado Federal em dois turnos na última quarta-feira (14) e deve ser promulgado nos próximos dias. A proposta assegura dois dias de folga remunerada ao trabalhador, sendo um deles aos domingos.

Na hotelaria, um dos setores mais impactados, a preocupação é adaptar as empresas sem comprometer a qualidade dos serviços. O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH-RN), Edmar Gadelha, prevê aumento dos custos operacionais devido à reorganização das escalas e à contratação de profissionais. “Os efeitos começarão a ser percebidos a partir da entrada em vigor das novas regras, quando as empresas precisarão ajustar suas jornadas e escalas de trabalho.”

A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) no RN também prevê dificuldades. Segundo a entidade, os custos com pessoal podem aumentar até 20% em determinados estabelecimentos, agravando a dificuldade de preencher vagas. A associação considera curto o prazo de 60 dias previsto para a primeira etapa da transição, especialmente para pequenos negócios. “Entre as possíveis consequências estão a redução dos dias de funcionamento, o aumento dos preços ao consumidor e dificuldades para manter a qualidade dos serviços.”

Para os pequenos empreendedores, que já operam com margens estreitas, cada funcionário é essencial. O superintendente do Sebrae-RN, Zeca Melo, reconhece a redução da jornada como uma conquista social, mas ressalta que os impactos variam conforme a empresa. “Os efeitos mais sensíveis vão aparecer nos setores que funcionam com escala e atendimento contínuo, como comércio, bares e restaurantes, turismo, serviços e a indústria de pequeno porte”, pontua.

Segundo ele, a redução das horas trabalhadas por pessoa elevará o custo por hora e exigirá a reorganização dos turnos, além de possíveis contratações ou demissões.

Na indústria, a Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (Fiern) reconhece a importância da busca dos trabalhadores por qualidade de vida, mas acompanha o posicionamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que aponta aumento de custos e perda de competitividade. “Estudos apresentados pela CNI projetam retração de 0,7% no Produto Interno Bruto e aumento médio de 6,2% nos preços ao consumidor, efeitos que poderão atingir o poder de compra dos próprios trabalhadores”, informou a federação. “Esse desafio se soma à transição para a implantação da reforma tributária, que já exige das empresas adequações em sistemas, processos e planejamento”, acrescentou.

Tribuna do Norte

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