Mensagens mostram comunicação à família após morte de bebê na Creche Luz do Brás

24 de julho de 2026

Mensagens mostram comunicação à família após morte de bebê na Creche Luz do Brás

Mensagens enviadas por funcionários da Creche Luz do Brás ao pai de Abdoulaye Dieng, de 1 ano e 4 meses, indicam que a família foi informada apenas de que o bebê havia “passado mal”, sem referência à gravidade do acidente. O menino morreu após ficar com a cabeça presa entre uma grade e uma parede na unidade, localizada na região central de São Paulo, na última quarta-feira (22/7).

Às 9h18, o número da creche enviou uma mensagem ao pai dizendo: “Oie, bom dia. O Abdoulaye passou mal. Estamos levando ele para o hospital.” Em seguida, houve uma ligação de aproximadamente 30 segundos entre a creche e o responsável pela criança.

Mais tarde, às 9h19, uma nova mensagem informou o local do atendimento: “UBS Mooca, UBS Mooca.” Por volta das 9h38, um novo contato foi feito com a mensagem “Olá”. Às 9h44, outra mensagem questionou: “Olá, vocês estão indo para a UBS?”, seguida por outra ligação telefônica.

O advogado da família, Erson de Oliveira, explicou que essas mensagens deram a impressão de que a situação não era grave. Ele afirmou que “mandaram uma mensagem dizendo que a criança tinha passado mal. Os pais acreditaram que o filho estava em atendimento médico”. Esse modo de comunicação também será avaliado na investigação do caso.

Oliveira destacou que o bebê estava sem supervisão no momento do acidente e que os funcionários da creche participavam de uma confraternização para celebrar o aniversário da diretora. A comemoração ocorria no refeitório da instituição e reuniu vários funcionários. “Juntaram todos os funcionários e deixaram as crianças sem supervisão”, declarou o advogado.

Segundo o boletim de ocorrência, a diretora da creche nasceu em 22 de julho de 1990. Abdoulaye morreu na manhã de 22/7, depois de prender a cabeça em uma grade.

Durante essa comemoração, Abdoulaye entrou em uma sala usada para aulas de ballet e outras atividades, onde colocou a cabeça no espaço entre uma estrutura metálica em frente a um espelho e a parede, ficando preso por cerca de seis minutos até ser retirado pelos funcionários.

Após o ocorrido, cinco funcionários da Creche Luz do Brás estão sendo investigados pela Polícia Civil, incluindo a diretora, a coordenadora, uma professora, uma pedagoga e outro funcionário. O caso foi registrado como homicídio culposo e é apurado pelo 8º Distrito Policial (Brás).

A investigação busca esclarecer as circunstâncias do acidente, a responsabilidade dos profissionais e a supervisão da criança.

Além dos depoimentos, perícia do Instituto de Criminalística analisará o local e exames do Instituto Médico-Legal ajudarão a esclarecer a causa da morte. Imagens das câmeras de segurança também fazem parte da apuração.

A Secretaria Municipal de Educação (SME), consultada pelo Metrópoles sobre a suposta confraternização no momento do acidente, não confirmou diretamente o evento. Em nota, informou que instaurou procedimento administrativo para apurar o caso, simultaneamente à investigação policial.

A pasta alertou que, se confirmada alguma irregularidade, tomará as medidas cabíveis, incluindo o possível descredenciamento da organização responsável pela creche. A SME esclareceu que a sala onde ocorreu o acidente segue interditada para análise técnica e que equipes do Núcleo de Apoio e Acompanhamento para a Aprendizagem (Naapa) estão oferecendo assistência à família, bem como acolhimento às outras crianças, familiares e funcionários da unidade.

Créditos: Metrópoles

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