Mostra homenageia currais-novense João Antônio na Pinacoteca do Estado a partir do sábado (25)

22 de julho de 2026

A Pinacoteca do Estado, em Natal, receberá exposição que busca reavivar a obra e história de João Antônio. Serão 20 fotografias de pinturas do artista, em cliques do fotógrafo Vlademir Alexandre. A ideia é fazer as figuras criadas por João Antônio para além da memória dos amigos, chegando também às paredes de quem quiser levá-las para casa.

A mostra será aberta ao público a partir deste sábado (25), e segue em cartaz até 23 de agosto. A exposição foi articulada por amigos artistas da época do curso de Educação Artística, entre eles Lenilton Teixeira, Rachel Lúcio, João Natal, Margô Lima e Pedro Queiroga.

“Ele tinha uma honestidade e uma entrega muito grande. Os desenhos eram realistas. Mas, possuíam uma assinatura inigualável”, define Lenilton Teixeira, diretor teatral e comandante do Grupo Estandarte.

A memória afetiva vem da convivência iniciada em 1986, na faculdade: “Joãozinho estava sempre muito inquieto, pensado em coisas. Apesar de ser muito tímido, ele estava sempre com grandes ideias na cabeça”.

Características

Antes que a palavra performance se tornasse corrente, João já inventava modos de intervenção, como o “Pei-Puf-Etc-e-coisa-e-tal”. Em outra lembrança, ocupou o quarto apertado com fios de corda de rede, criando obstáculos geométricos entre a pequena cama e a grande prancheta de madeira. Ao ser questionado, respondeu que, quando retirasse os cordões, o quarto pareceria maior. Era uma forma de pensar o espaço, o limite e a imaginação.

A macambira, que dá nome à mostra, é uma planta resistente e comum no sítio do artista.. “Macambira é uma planta resistente. Ele gostava dessa planta. E decidimos que deveria ser esse o nome, porque remete a ele em diversos aspectos”, explica Teixeira. A resistência também atravessava seu método de se comunicar com o mundo: “João era muito exigente com o que fazia. Tinha mania de perfeição; de estudar as formas e cores. Ele olhava para meus desenhos e dizia ‘eu queria conseguir ser livre como você’. Mas ele não entendia que eu tenho essa liberdade porque eu não sabia fazer direito, fazer como ele”.

Entre suas criações esteve o Prêmio de Incentivo à Criação Artística, que reconheceu nomes como Lula Belmont, Osvaldo D’Amore, Dolores D’Amore e Carlos Nereu. A sigla do prêmio e o formato do troféu carregavam o humor provocador de Joãozinho, artista com A maiúsculo, como lembram os amigos. “Acho que João é de um tempo que não é mais o de hoje. A arte dele é vanguarda. Mas a gente falava algumas coisas. Ele criou um legado em Currais Novos que é uma coisa de outro mundo. O Avoante se mantém inspirando diversos artistas na cidade”, reconhece Teixeira.

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