ÁUDIO: Conheça a história da ‘Elas Vida Leve’, empresa currais-novense que aposta em gestão humanizada na produção de produtos sem glúten e sem lactose
O sino toca e, quase que instantaneamente, alguém atravessa a fábrica carregando mais uma caixa pronta para entrega. O som metálico já virou parte da rotina da Elas Vida Leve, indústria currais-novense que encontrou na alimentação saudável um propósito e, no Seridó potiguar, o lugar ideal para crescer. Entre fornadas, recheios e uma equipe majoritariamente feminina, a empresa acumula números expressivos, mas faz questão de sustentar um discurso simples: tudo começou por amor.
A história da marca teve início em 2019, quando a pernambucana Lua Andrade decidiu buscar alternativas de alimentação saudável durante a gravidez da primeira filha. A ideia, inicialmente pessoal, acabou se transformando em negócio. Ao lado da irmã, Aby Quirino, ela escolheu Currais Novos para empreender e construir uma empresa voltada à produção de alimentos sem glúten e sem lactose.
“Quando minha filha estava para nascer, comecei a estudar muito sobre alimentação. Eu queria oferecer algo saudável, seguro e saboroso pra ela. Aos poucos, percebi que outras pessoas também procuravam isso e tinham dificuldade de encontrar. A empresa nasceu dessa necessidade, mas principalmente do amor que eu sentia naquele momento”, contou Lua Andrade.
O que começou de forma pequena hoje se transformou em uma operação que produz até 12 mil pães por semana. As encomendas saem do interior do Rio Grande do Norte para outros estados do país, incluindo São Paulo. Em cada embalagem, a proposta é manter um diferencial que as sócias consideram indispensável.

“A gente acredita muito que comida carrega sentimento. Não é só sobre vender pão ou alimento saudável. É sobre cuidado. Tudo aqui é feito pensando nas pessoas que vão receber aquilo em casa. Esse amor acaba sendo um ingrediente invisível, mas que faz toda diferença”, afirmou Lua.
A reportagem visitou a fábrica da Elas Vida Leve em Currais Novos para acompanhar a rotina da produção. O sino que abre a movimentação da empresa marca também o ritmo intenso do local. Funcionários circulam rapidamente entre setores, enquanto máquinas e mãos trabalham quase sem pausa. Apesar do fluxo acelerado, o ambiente chama atenção pela organização e pela sintonia entre os colaboradores.
Lua Andrade se tornou o rosto mais conhecido da empresa. Em 2025, ela conquistou o terceiro lugar nacional no Prêmio Sebrae Mulheres de Negócio, concorrendo com mais de cinco mil iniciativas de todo o Brasil.
“Quando ouvi meu nome naquele palco, passou um filme na cabeça. Eu lembrei do começo, das dificuldades, dos medos e de tudo que a gente precisou enfrentar até chegar ali. Foi um reconhecimento muito importante não só pra mim, mas pra todas as mulheres que fazem parte dessa história”, disse.
Ainda neste mês de junho, Lua embarca para a China em busca de conhecimento e novidades para ampliar a atuação da marca. Enquanto isso, a irmã Aby Quirino segue coordenando a produção em Currais Novos.
“Lua está muito focada nessa expansão, em trazer novas ideias e possibilidades pra empresa. E eu fico aqui garantindo que tudo continue funcionando com a mesma qualidade e cuidado. A produção é intensa, mas é muito bom estar dentro desse processo, garantindo que tudo funcione conforme precisamos”, relatou Aby.

Dentro da fábrica, as mulheres são maioria absoluta. Lua brinca que os poucos homens presentes estão ali “por cotas”. Entre as colaboradoras, histórias pessoais ajudam a explicar a identidade construída pela empresa.
Aylana, atual gerente de produção, começou trabalhando como auxiliar de serviços gerais. Com o tempo, ganhou espaço, assumiu responsabilidades e hoje coordena setores importantes da indústria.
“Quando cheguei aqui, eu não imaginava que teria oportunidade de crescer dessa forma. Fui aprendendo aos poucos, recebendo confiança e incentivo. Hoje eu tenho orgulho da trajetória que construí dentro da empresa”, afirmou.
Outra história que chama atenção é a de Gezilene, conhecida por todos como Geza. Aos 57 anos, ela é responsável pelos recheios dos cerca de 50 sabores de pães produzidos pela marca. Geza falou sobre a dificuldade que enfrentou para voltar ao mercado de trabalho após os 50 anos.
“Muita empresa fecha as portas quando vê a idade da gente. Aqui foi diferente. Me deram oportunidade, confiaram no meu trabalho e isso muda tudo. Hoje eu me sinto valorizada e feliz em fazer parte dessa equipe”, contou.
Enquanto a produção segue em ritmo acelerado, os planos de expansão também avançam. A expectativa é que a mudança para uma nova sede permita ampliar a capacidade produtiva em até 1200%. Um salto que impressiona, mas que, segundo as sócias, precisa continuar sustentado pelos mesmos princípios que deram origem à empresa.
“A gente quer crescer sem perder nossa essência. Não adianta aumentar produção e deixar de lado aquilo que trouxe a gente até aqui”, destacou Lua.
“Nosso maior patrimônio são as pessoas e o amor que existe dentro desse trabalho. É isso que queremos manter, independente do tamanho que a empresa alcance”, completou Aby.
A Elas Vida Leve mostra que é possível, sim, escalar valorizando o funcionário e trazendo uma missão nobre como a de motivar e incentivar outras mulheres a ocuparem espaços através do empreendedorismo. Em Currais Novos, a empresa vem construindo uma trajetória marcada por expansão, reconhecimento e histórias de transformação pessoal.








